Babando na gravata (ou como sonhar com uma outra realidade)

A realidade é essa: vivemos num pais de terceiro mundo. Me parece que nós estamos satisfeitos com nossa condição social, econômica e ética, onde cada um espera pelo outro.

Tudo bem se o empresário reclama das altas taxas pagas nos bancos, se a carga tributária é extorsiva e se o nosso mercado não serve para principiantes. Mas, definitivamente, ele não gosta muito de eficiência. Não cobrar por resultados com funcionários que não sabem como melhorá-los também não leva a nenhum êxito.

O empresariado também não quer se arriscar em nada, pois é óbvio que o retorno em pagar propina é muito maior do que o patrocínio. Mas ele não vai assumir essa posição, pois se há algo que ainda existe e está ficando mais raro é a hierarquia.

Aonde quero chegar? No ponto mestre desta revista.

fuel_001

Um colega de trabalho natural da Austalia, John Nelson, se juntou ao grupo de trabalho aqui onde estamos no momento. Um determinado dia, no trajeto entre o condomínio e o estaleiro, conversávamos sobre muscle cars e hot rods, quando abordei sobre a revista FUEL, editada em sua terra natal. Ele prontamente intervém: “Tell me the name of this mag and I´ll ask my broher-in-law to buy some issues”. Neste mesmo dia ele disse que seu cunhado conseguiu 4 exemplares e eu, claro, me controlei para não soltar fogos dentro do escritório.

fuel_002

Essa publicação bimensal australiana é soberba nos temas, nas fotos, na edição e no material. Aqui em nosso país talvez publicações deste naipe sejam as ligadas a relojoaria (como a Pulso) e as relacionadas a decoração e náutica. Fica óbvio que é possível e há consumidor de outros nichos não tão requintados que querem que seus artigos estejam estampados em publicações mais esmeradas, mais caprichadas.

fuel_003

Um exemplo do que escrevo remete a uma revista de hot dos brasileira que, não somente é cara como também é mal escrita e mal diagramada. Se está disposto a pagar mais de R$14,00 por uma publicação, espera-se qualidade no conteúdo e no mínimo capricho.

fuel_004

Retomando…por uma cagada dele mesmo (do crocodilo dundee, digo), seu retorno ao Brasil depois do home leave (retorno para descanso aos expatriados para sua residência) foi adiado devido ao visto de entrada em nosso país.

Pois ontem, meio-acordado-meio-dormindo, ele se senta ao meu lado no ônibus, me cumprimenta e diz:

“Hey buddy. I brough your mags, but I left on apartment because my bag is full of stuffs…”

fuel_005

Hoje, já sentado em minha mesa, o dito cujo trouxe 4 exemplares (20 a 23) da tal revista. A sensação foi uma mistura de gratificação (por ele ter sido tão empenhado) e de indignação (por não poder comprar diretamente no Brasil). Hoje mesmo retribuirei o presente com uma bela cachaça mineira.

E não sei se guardo no cofre ou no deixo no meu altar particular…

Deu ruim, também.

No post https://v8andvintage.wordpress.com/2017/01/02/deu-ruim-de-novo/ eu havia mostrado o meu Sansui AU555 abrindo o bico, sendo substituído pelo Akai AA5420. Já no post https://v8andvintage.wordpress.com/2017/01/09/gravando-videos-com-microfone-externo/ eu mostro esse amp funcionando em um teste do microfone de lapela que havia comprado. E como faria então para ouvir música quando retornasse à minha residência?

Pedi ao meu sobrinho se separasse o CCE SR3620, aparelho que reformei fazem ao menos 10 anos e talvez esteja parado há 8 anos. A consequência disso não poderia ser boa. Mesmo bem acondicionado, coberto por um cobertor em uma casa fechada, não há santo que segure o oxigênio.

Meu pai trouxe no carro dele e quando fui visita-lo, busquei na mala de seu carro. É normal que haja ansiedade em colocar um aparelho desses para funcionar, pois me sentia vazio sem um som para ouvir em Niterói e também com um desejo de voltar à ativa uma dos primeiros aparelhos que comprei para reformar.

CCE-SR3620_0001.JPG

Assim que liguei na tomada, mesmo não estando conectado senti um leve cheiro de queimado. Conectei as caixas Bravox e a saída do meu DAC, pois com ele ouviria ao menos CD e MD.

CCE-SR3620_0007.JPG

Qual minha surpresa (ou ainda ficaria surpreso com isso?) ao ligar, ouvi o roncado de saída queimada (60hz). Ótimo…mais um pro conserto. Não deveria me surpreender pois esse aparelho foi mais um daqueles que peguei em feira e que foram substituídos os transistores de saída. Carlinho, no qual já contei a história dele aqui https://v8andvintage.wordpress.com/2016/06/22/marantz-2226/  foi que o pôs a funcionar. Não recapeei o pré-amplificador nem outra seção a não ser o amplificador.

CCE-SR3620_0008.JPG

Isso eu deveria já esperar, e não posso deixar que isso aconteça novamente. Vou pegar todos os meus aparelhos e anunciar vários deles que não fazem mais parte dos meus planos.

Sou Engenheiro, mas não sei projetar tudo

Me formei em Engenharia Mecânica pela “falecida” Universidade do Estado do Rio de Janeiro, sem um pingo de orgulho pela instituição, mas pela carreira.

Tive muitas dificuldades com determinadas disciplinas, como Calculo Diferencial e Integral, Resistencia dos Materiais e Álgebra Linear. Tirei de letra o que era ligado a termodinâmica e dinâmica dos fluidos. Algumas simplesmente caguei pra elas.

E há uma equivocada impressão que um Engenheiro é capaz de projetar qualquer coisa, de cotonete a ônibus espacial. Cada um tem suas virtudes e dificuldades e no nosso diploma não está escrito “FODÃO EM TUDO”.

Gosto muito de som, já li muito sobre os parâmetros Thiele-Small para projetos de caixas acústicas e até baixei algumas planilhas para projeto de caixas do tipo linha de transmissão. Quanto mais lia, mais me aproximada da seguinte conclusão:

TÔ FORA!

Sabe o porquê? Não dá pra reinventar a roda e nem evangelizar batizados.

O vídeo abaixo é um exemplo do que falo.

Nem comece a me convencer que aqueles altofalantes chineses da loja do centro da cidade são muito bons, boas repostas e qualidade na fabricação.

Como dizia Wilson Simonal, “nem vem que não tem”.

Gravando vídeos com microfone externo

Para alguns os meus vídeos são produzidos com qualidade razoável. Já outros acham muito ruins. Tem também aqueles que não acham merda nenhuma.

Com a finalidade de melhorar o conceito para os 2 primeiros e também para o meu intimo, comecei a pesquisar como fazer meus vídeos saírem com – ao menos – um som de qualidade melhor. Inúmeros vídeos carregados no youtube mostram de como fazer, dentre os amadores e os profissionais, as opções são diversas entre processos, acessórios para vídeo e os microfones suportáveis.

Sendo honesto, minha maior preocupação era enquanto dirigindo o meu Dodge, o áudio captado fosse do motor, e não do vento que batia na câmera nem os eventuais ruídos internos do carro. No meu entender, quando filmo enquanto dirijo, o som deve vir do motor e sem interferências.

As opções do mercado são inúmeras e todas levam ao mesmo lugar: microfones externos importados. Minha escolha recairia sobre algum modelo que tivesse cabo de conexão comprido (mais de 2m) para que pudesse atravessar todo o comprimento do carro. Esperava também que ele fosse universal, plugando e funcionando no celular, no tablet, na Gopro e na Canon T3.

Agora começam as considerações:

a) A Canon T3 não suporta fone externo. O slot lateral da câmera suporta HDMI, USB e controle remoto. Ou seja: feeeeerrrrooo!

b) A Gopro só suporta seus próprios acessórios. Você compra o cabo de adaptação USB-P2 genérico e descobre que ele é 5-pin, quando para funcionar corretamente demanda um 10-pin. Feeeerrrrroooo 2!

c) Você encontra todos os tipos de cabos e microfones para gravação, mas para descobrir qual é compatível, somente levando todos os seus dispositivos e testando cada um deles. Feeeeeerrrrrrrooooooo 3!

d) Mais uma vez você encontra mais do mesmo no mercado. Assistindo os vídeos no youtube, a quantidade disponível de acessórios, lentes, grip, microfone para smartphones impressiona; o problema é que você não encontra nada por aqui. Feeerrrrrrroooooooo 4!

No fim das contas, escolhi o microfone de lapela da Boya com cabo de 6m, sendo testado somente no Blackberry na loja.

lapela_0001

Sua construção parece robusta suficientemente para aguentar o serviço. Sou cuidadoso com as coisas, portanto espero que ele dure para sempre.

lapela_0002

Ele tem uma fonte de alimentação alimentada por uma bateria de relógio, com função “smartphone” e “câmera”, onde liga e desliga a fonte conforme a aplicação.

lapela_0003

Como se espera, o tamanho é diminuto. Por isso ele existe.

lapela_0004

A pinagem é própria para smartphones e tablets, na configuração TSSR:

Tip+Sleeve+Sleeve+Ring.

Para uso do microfone, só servem o Sleeve+Ring, pois estes são os conectores para microfone independente do fabricante.

lapela_0005

Devido ao sue baixo peso e ser pequeno, pode ser colado em qualquer lugar. Para isso usei um microfone de notebook e seu suporta para adequa-lo à minha necessidade.

lapela_0006

Sim: esparadrapo para fixar. Barato, fácil, removível.

A oportunidade ocorreu quando recebi de meu sobrinho um par de caixas acústicas de micro system. Elas estavam guardadas e então pedi empretada para poder ligar o amplificador Akai e ter som em casa.

Fiquei surpreso com a sonoridade, mesmo que ainda não tenha feito horas suficiente para a tal “queima” ou “burn in”, onde os componente amaciam e funcionam melhor.

 

Breves considerações:

1 – Não sei se partiu a decisão do smartphone ou do microfone de atenuar os graves durante a música. No início os graves são fortes, mas enfraquecem quando a música entra com todos os instrumentos;

2 – O som desse microfone é bem melhor que o interno, posicionado à minha frente sobre o tapete. A sala não ajuda na acústica, sendo percebido um pouco na gravação;

3 – Com a possibilidade de me afastar da fonte sonora, filmar outros cantos da sala sem que a qualidade do som se altere, já garante sucesso no que eu empreendo.

4 – De uma certa forma, as caixas me surpreenderam na qualidade sonora. Muito leves e com um fio polarizado AWG16, pode ser melhor do que já é.

5 – Por último, não sei se conserto o Sansui AU555 ou se taco fogo…

 

Deu ruim, de novo.

Com alguns problemas você não pode insistir. Com um amplificador mal consertado também. Com uma saída queimando durante a filmagem do teste do tape deck Technics M8, não tem preço.

Não é nova nem a primeira vez que reclamo desse amplificador, que funciona aos trancos-e-barrancos, pois foi consertado de forma muito displicente. Nunca funcionou direito e o mantive guardado por um tempo.

Qual seria a sua pergunta se estivéssemos conversando de forma mui sincera:

“Por que diabos você pegou esse aparelho pra usar então?”

Porque é um amplificador, porque é mais leve, porque estava disponível. Um receiver tem as suas inúmeras qualidades (as quais me motivam a colecionar), não tem entre elas a portabilidade. Não há saúde que aguente montar e desmontar um aparelho nas suas conexões, carregar, reinstalar, religar; fora o peso, que acaba com qualquer coluna. Seria como comparar um computador desktop, um notebook, um tablet e um smartphone. Todos fazem quase as mesmas coisas, cada um com sua facilidade, cada um com sua portabilidade.

Eu tinha pego na mala do meu carro esse tape já anunciado no OLX com poucos interessados (link: http://rj.olx.com.br/rio-de-janeiro-e-regiao/audio-tv-video-e-fotografia/tape-deck-technics-m8-vintage-237950212), decidido a gravar um vídeo para mostrar o seu funcionamento pois essa é a primeira pergunta que todo comprador faz: como funciona. Limpei a frente com limpador de rodas (link: http://lojapoliboxrj.com.br/produto/iron-z-desincrustante-de-superficies-descontaminante-de-componente-ferroso-alcance-profissional-700ml/27002 , que uso nas rodas de liga do Dodge), escova de dente, limpei com acetona o capstan, soprei, escovei, limpei de novo, soprei de novo…

O momento mágico foi registrado nesse vídeo, sendo interrompido repentinamente para desligar o aparelho antes que o problema ficasse pior.

Vocês conseguiriam imaginar o meu semblante de felicidade nesse momento?