Shopping hifi e hiend em Singapura [VIDEO]

Eu já havia postado minhas impressões sobre o Shopping Adelphi em Singapura no link https://v8andvintage.wordpress.com/2014/10/01/shopping-de-hi-fi-e-hi-end-em-singapura , mas não havia carregado o video que havia feito. Talvez por receio, lugar onde tudo é proibido dentro de uma democracia parlamentarista, o audio é baixo e câmera discreta.

O choque continua o mesmo. Continuo babando por aqui. A concentração de lojas com produtos incríveis é fora do comum. Os preço são equivalentes aos dos EUA, mas não tenho notícias de um shopping dedicado ao tema.

No Japão há prédios temáticos, com lojas de vinil em um andar, aparelhos em outros…mas nada tão grande como esse.

Imprimindo uma marca, parte 2

Os poucos que leram o meu post anterior (https://v8andvintage.wordpress.com/2017/05/08/imprimindo-uma-marca/) podem ter ficado com dúvida sobre o real propósito de criar uma marca. Acho que aqui não só vou esclarecer como colocar no papel meus pensamentos.

1 – Carros:

Adquiri um conhecimento razoável e participei de alguns projetos que me deram experiência para iniciar os meus próprios de personalização. Quando escrevo personalizar recaio sobre o termo em inglês Bespoke, que traz ao seu empenho a característica básica que não se repetiria em outro projeto.

Eu não fiquei restrito a execução dos projetos, mas também no planejamento de vários deles. Tenho em minha mente os Lessons Learned, onde aprendi muito com os erros do outros. Não é cópia; é aprendizado.

2 – Motos:

Quando mais jovem e durante férias frequentava muito a oficina mecânica do Issa, em Barra de São João, local que só no início levei minha mobilette para manutenção. Depois disso passei a fazer eu mesmo esse trabalho.

Isso não me limitou a ficar nesse mundinho do aro 17″, mas eu aproveitava cada minuto para aprender sobre outras motos. Nesta mesma época acompanhava um colega chamado Douglas, que tinha a sorte de ter algumas motos dos meus sonhos:

  • RD350 1973;
  • GT 250 1972;
  • RD350 1997;
  • K900 1970;
  • CB450 1988.

Mexia dali, fuçava daqui, sonhava acolá. E me diverti muito.

O meu dia a dia é de acompanhar e inspecionar fabricação mecânica, soldagem, montagem, pintura, acabamento, testes, cálculos, emitir relatórios, atender auditorias…mais experiência agregada. E posso levar todo esse conhecimento para a construção de equipamentos personalizados.

3 – Som vintage:

Talvez seja o tema onde teria mais conhecimento mas menos habilidade manual. A curva de aprendizado foi gerada enquanto fui responsável por manutenção de equipamentos inclusive eletrônicos, somado ao que aprendi na Universidade me permitem opinar e fazer as melhores escolhas.

Novo madeiramento, novo acabamento, novos gabinetes, todos recaem sobre fabricação mecânica onde já atuo. No caso de eletrônica pesada, como sempre fiz, passarei para mão de terceiros.

Aliás, taí um mito no ramo da personalização: a terceirização.

Não há espaço hoje para que haja uma horizontalização das atividades empresariais. Em grandes empresas antigas que visitei, muitas delas tiveram ativas um setor de marcenaria onde fabricavam o próprio mobiliário. Hoje isto soa absurdo, considerando a quantidade de fabricantes de mobiliário existentes no mercado de alta qualidade.

Muitos empresários tem a idéia e a capacidade de gerenciar, que por fim terceirizam todas as atividades meio.

Não há nada de mal nisso e não vejo outra alternativa. Contrate os melhores e serás um deles.

Um “Big Abraço” para você.

“Olá meu querido, tudo bem?”. Foi assim que atendeu o Rui Fernando quando nos falamos ao telefone pela primeira vez. Aquela forma carinhosa, mesmo para alguém que nunca havia conversado pessoalmente mas somente pode posts no HT Fórum, o tornava diferente.

Naquela época quando frequentava o fórum acima citado, vi uma postagem do Rui onde ele doava um aparelho, a ser retirado em sua oficina, pois ele não tinha mais interesse em restaurar e achava melhor passar adiante. Não era nada mais nada menos que um gravador de rolo Sony TC-377-4, um monstro que não poderia ser qualquer um a transportar. Negociamos o meio indicado por ele mesmo, que cuidadosamente embalou para mim e enviou conforme combinamos, frete pago ao receber.

Não é algo comum alguém se desfazer de algo ainda em bom estado e para uma pessoa que não conhecia. Da mesma forma surpreende a forma que ele conversava comigo ao telefone, parecendo que éramos amigos desde a infância. Talvez o medo dos relacionamentos não fizesse parte da sua vida, pois tempos depois percebi que ele era assim com todos ao seu redor.

Alguns anos depois vim reencontrá-lo no Facebook, assim como passei a me relacionar mais de perto com aqueles os quais só lia, como Holbein Menezes e Ricardo Labuto Gondim (do Logos Eletrônico), um mar de conhecimento que se abria a minha frente e que eu, no meu pouco experimentar, me resumia a assistir de camarote com pipoca e guaraná.

O que mais me encantava era a facilidade de expor o conhecimento, independente da hora, do assunto e do humor, que ele nunca – AFIRMO NUNCA! – tinha um momento de rispidez em suas respostas. Um jeito sempre carinhoso a conversar com todos, terminando sempre com um BIG ABRAÇO suas postagens o tornava um paizão do áudio, onde todos poderiam absorver o seu conhecimento e que não era cobrado nada em troca.

Uma das pessoas mais caridosas que conheci.

Neste sábado, ao entrar no facebook no meio da noite percebi que haviam algumas postagens com um conteúdo estranho, não muito claro, que indicava que algo havia acontecido com ele. Escrevi imediatamente pro Flavio Furtado, v8eiro de carteira, audiófilo e meu chapa desde o Biela Quente, que também ficou em dúvida. Depois de alguns minutos, com algumas poucas mensagens a seguir, deixavam claro que o Rui havia falecido. Retornei a informação do Flavio, que com toda certeza ficou consternado e avisei também ao Guto Pereira, chapa da época do CCVTD (Clube Carioca do Vinil e Toca-Discos).

Neste momento eu caio em um sentimento de que, ao máximo possível, você deve estar próximo daqueles de quem você estima e que deveria se dedicar um tempo para passar com eles. Neste isolacionismo que fui submetido desde setembro, onde trabalho longe de onde nasci, moro fora de meu domicilio, deixo tudo que tenho pra trás e fico trancafiado 50 horas por semana em um estaleiro, o meu sistema de recompensa não contabiliza e acusa sempre um débito. A médio prazo não há qualquer possibilidade de que isso mude, pois a previsão é de que estejamos neste estado até setembro.

Você pensaria se compensa todo esse estresse por causa do trabalho. A reposta é simples: não há outro lugar onde possa ir. Jogar pro alto esta ocupação é como jogar pro alto toda uma carreira. Pior do que isso é perceber que não há como formar amizades neste ambiente, pois os interesses percebidos aos outros fora do ambiente do trabalho não cabem naquilo que entendo como ético. Não sou politico e essa não é uma habilidade que quero desenvolver. Não sou idiota em não perceber o que ocorre ao meu redor. Me mantenho quieto e toco meu serviço

Passei quase 1 ano viajando a São Paulo, ficando 5 de 7 dias longe de casa e sozinho. O que poderia fazer para me ocupar? Conhecer os lugares e as pessoas. Visitei a Fazenda Ipanema, o Box 54, Lucky Friends, encontrei meu ex-chefe…

…mas não visitei o Rui.

Escrevi para ele me desculpando e prometia em uma outra oportunidade uma visita. Não poderia ser aquela visita rápida; tinha de demorar, porque sabia que tínhamos muito a compartilhar.

Mas não deu tempo.

O que me resta agora? Pensar e pensar como estou levando minha vida, como levo minha alimentação, abstrair do cansaço e buscar as coisas mais belas nos menores ramos de mato,

e

desejar aquele BIG ABRAÇO como ele sempre fazia.

Trazendo tudo que possível

Esse acontecimento poderia ter sido em qualquer momento da minha vida, cedo ou tarde, pois disponibilizar os meus aparelhos de coleção dependia somente de espaço. Ou de coragem, eu acho. Por muito tempo eles ficaram guardados na casa de veraneio dos meu pais, em região abençoada pelo sol, vendo e maresia. O meu problema era somente com o último. Por mais que você embale os seus aparelhos, mantenham-nos dentro de armário e deixe a casa fechada, a oxidação acontece sem interrupção e você vira um mero enxugador de gelo.

Estes aparelhos fazem parte da minha pequena coleção, a qual tenho orgulho. Aliás, deveria ter mesmo orgulho pois com meu esforço e dinheiro que assim o montei. Alguns foram ganhos, presenteados por pessoas que sabiam que eu gostava e colecionava. Dentre todos, eu tinha uma esperança de que exporia em uma bela estante, restauraria e ouviria funcionando quando assim desejasse.

Por mais que você seja coerente com suas ideias, elas mudam conforme o tempo passa. Hoje não me interesso tanto por tape deck, colocando à venda alguns da minha lista; amplificadores, seguindo a mesma linha de raciocínio, terão exemplares vendidos. O foco agora é manter os receiveres no acervo e definitivamente restaurá-los.

Até porque o que fiz até o momento foi consertar, não restaurar.

Essa decisão ocorreu após o ocorrido postado aqui no blog (https://v8andvintage.wordpress.com/2017/02/13/deu-ruim-tambem/), percebendo que não deveria manter mais o aparelhos embalados. A despesa só tenderia a aumentar sem que sequer perceba retorno nem satisfação. Então, trá-los-ei para perto de mim (aprendi com o TEMER).

Essa programação foi forçada também pela procura acirrada por alguns aparelhos que anunciei, como os tapes Marantz Model 5030, Technics M8 e RS-615. A procura foi grande e, motivado por um depósito adiantado, fui até Cabo Frio para resgatar.

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IMG_00001467.jpgEsse trabalho foi hercúleo, pois cada equipamento do alto do armário demandava subir e descer as escadas. Então contem: 19 equipamentos x 3 degraus de escada = 57 degraus.

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Mas não para por ai…

Os equipamentos que estavam no 2o. andar eram guardados em carrinhos. Pois 10 equipamentos x 10 degraus = 100 degraus. Essa brincadeira me fez gastar calorias e suar igual a um porco assado no rolete.

Considere que o receiver mais leve pese 8kg, o mais pesado 15kg; o tape mais leve pese 3kg e o mais pesado, 8kg. Minha esposa que ajudava disse que este exercício era mais eficiente que os proferidos no DVD das Solange Frazão.

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Para piorar o meu carro não é uma van, nem SUV, nem pick-up, mas sim um hatch 1.0 com bancos deitados. Não posso nunca reclamar da Renault, pois esse carro já fez ao menos 5 viagens completamente lotado, nunca percorrendo menos de 200km por trecho. Vai ser guerreiro assim na PQP!

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Com certo ritmo, desço os equipamentos, coloco próximo ao carro, carrego o carro, busco uma arrumação para não danificar nada. Cansativo para quem é sedentário ou esportista. Terminado isso, retorno às minha cidade dirigindo um carro com pelo menos 300kg no salão a 100km/h e torcendo para não pegar nada que fure meus pneus.

Por falta de espaço, ainda ficaram as caixas Polyvox Vox70s e o tape de rolo Sony TC377-4

Acabou? Não senhor.

Pegue todos esses equipamentos, que estão fora de ordem, espalhe pela sua garagem para reorganizar, coloque no carrinho de compras do seu prédio e faça 5 viagens de elevador.

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Acabou agora? Calma apressado…

Separe um aparelho para você ouvir enquanto estiver na sua casa. Ele deve ser confiável e que não precise passar pelas mãos de um técnico. Então separe um Sansui mesmo; vá de G5700.

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Dessa vez acabou? Não. Espere sentado.

Viaje mais 190km para Angra dos Reis, lugar para onde sua empresa te empurrou e descarregue os equipamentos que pôs para vender. Eles tem de estar próximos por um óbvio motivo: se aparecer alguém desesperado para comprar, posso despachar via PAC no dia seguinte ao depósito bancário. Se tivesse deixado em Niterói, teria de viajar de volta, gastando em torno de 30litros de gasolina:

Faça a conta: 30 litros x R$3,80/litro = R$114,00 + R$4,80 de pedágio  = jogar dinheiro fora.

Resumindo: esse foi o meu carnaval de folia e descanso.

Packard de cortejo

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Faz uma semana que, enquanto dirigia com minha esposa no caminho a um restaurante, visualizei esse carro estacionado em uma na via de acesso à BR-101. Do ponto que estava e pelo motivo de estar dirigindo, só havia percebido que o seu porte e jeito eram prá lá de exóticos.

Acontece que, por ter sido muito rápida minha passagem, vários detalhes se perderam e eu então imaginei que o carro era uma adaptação para lanchonete, como havia visto uma vez no Hard Rock Café com um Cadillac.

Mas uma lanchonete não tem uma cruz no teto.

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Ao retornar ao mesmo local no sábado 17, percebi que era um carro fúnebre. Eu particularmente não tenho muitos problemas em lidar com a morte (como cemitério e tal) mas o estado geral do carro, com os roletes enferrujados da mesa, com balaustrada e teto cobrindo o caixão, me arrepiou um pouco.

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Tudo indica que esse carro foi transformado em carro de cortejo fora do Brasil. A engenharia (???) adotada, os recursos utilizados para alongamento de aproximadamente 10 metros e a decoração típica não são características nossas.

Não há qualquer indicação de modelo, fabricante da adaptação, origem, nada. O motor já não está mais lá – provavelmente fundiu – alguém instalou um motor provisório até que fosse determinada sua aposentadoria.

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Pelo que pude perceber o carro originalmente é um cupê 52, com corpo alongado, tendo o seu extremo adaptado do mesmo carro. Como não consegui reconhecer naquele momento, minhas pesquisas mostraram que era do mesmo carro mas com as lanternas traseiras substituídas por um outro modelo.

Não sei quem trouxe, quantos cortejos participou.

Não sei nada.

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Quem dirigiu esse carro?

Quem foi levado nele?

A que funerária serviu?

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O seu interior parece bem original e apresenta o seletor de marchas automático. Não há corrosão que comprometa o seu funcionamento, mas não pude inspecionar melhor como andam as longarinas e as travessas, que permitiriam a movimentação do carro por conta própria.

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Talvez a proposta para esse carro seja mantê-lo do jeito que está, colocar um motor e participar de eventos especiais, pois o seu tamanho não permite entrar em qualquer pátio e seu tema pode repelir muitas pessoas do lugar.

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Pelo que posso perceber o carro foi parcialmente depenado servindo como doador de peças. Não são tão difíceis de achar, ainda se considerar que ele não é mais um Packard original faz muito tempo.

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Esse Packard está a venda como indica a foto com o número de telefone. Para quem não tem receio nem acredita que um espírito pode puxar o seu pé durante o sono, é um carro bem exótico para comprar.