Meu cantinho do som

Eu tenho ficado mais confortável em mostrar alguns dos meus passos no dia-a-dia. Existem pessoas que querem obter “likes” para aumentar a popularidade, monetizar no youtube e, quem sabe, ganhar um programinha na TV.

Não tenho essa pretensão pois estou fora do contexto: barrigudo, com sotaque e ficando careca. Mas nem por isso fiquei recluso em meu canto. Só vou mudar de idéias quando perceber que as pessoas que estão assistindo não querem mais uma fonte de informação, mas um alvo para jogar seus dardos.

Mais uma vez fiz uma gravação aquém do que posso fazer. Poderia ter sido mais caprichoso, mais elaborado, ter vestido uma roupa melhor; mas não fiz. O tempo apertado e um objetivo traçado de inserir um post por semana me induziram a fazer algo mais corrido.

No entanto, é natural e sem disfarces. Prometo fazer melhor da próxima vez.

[POV] Gravando fita k7

Pode me chamar de maluco em gravar uma fita K7 de uma fonte digital. Pode me chamar de maluco também por ainda usar uma fonte analógica nos dias de hoje. Pode me chamar de doido por perder tempo com isso.

Qual o motivo de usar ainda um tape deck nos dias de hoje, se há tanta tecnologia disponível de maior praticidade e que, teoricamente, são mais confiáveis?

O motivo é puramente sentimental.

Eu cresci ouvindo LP, meus albuns e de meu irmão, principalmente por meio de um 3×1 National-Panasonic que tínhamos em casa. Desde que comecei a entender o que é o mundo, o tape desse aparelho não funcionava; portanto somente o toca-discos BSR funcionava. Eventualmente utilizávamos um gravador portátil também National-Panasonic onde gravávamos música de rádio, artistas e álbuns que não havia acesso neste país de restrição à importação. Tudo isso já havia emplacado em 2 posts meus, um do gravador (https://wordpress.com/post/v8andvintage.wordpress.com/686) e outro das fitas (https://wordpress.com/post/v8andvintage.wordpress.com/1097).

Tempos depois meus pais compraram na falecida Breno Rossi um system Philco-Hitachi donde pude comprar mais fitas e fazer mais gravações. Se eu fizer uma análise superficial, posso afirmar que tenho 98% das fitas que gravei nesta 2a fase dos aparelhos de som. A primeira fase, com minha inexperiência e mudança de atitude e comportamento, não me deixaram guardar as fitas gravadas.

Eu, depois de retomar o gosto por som e por música, passei a ter alguns tapes para fazer parte da minha coleção. Hoje tendo a me desfazer de alguns dele pela inexpressividade para mim, como já anunciado no OLX e com vendas bem-sucedidas. Mas não deixei de ouvir fita mesmo assim.

Mas vem agora a dúvida: como faço escolha do que vou gravar ou queimar CD/MD?

Eu tenho o costume de fazer download de musicas, depois de ver de camarote o fechamento das lojas de venda de CDs e DVDs. Não é que eu seja a favor, mas os comerciantes do ramo nunca foram muito hábeis para conquistar o público e nem para mudar o rumo dos negócios quando as vendas começaram a cair. Conhecedores de música como ninguém, a maioria ficava de pé no alto da montanha olhando com seu ar superior todos que estavam abaixo. Quando o público correu pro download e pro streaming, a maioria ficou de pire na mão.

Eu tenho o costume de salvar os álbuns no computador e ouvir um álbum por vez, colocando uma nota no nome da pasta:

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Álbuns que pontuo como 7 ou acima, serão escolhidos para queimar CD e imprimir a capa. Aqueles que são em um único arquivo, faixas não fragmentadas, eu transfiro para o MD, pois o aparelho reconhece a separação entre as faixas e os divide digitalmente.

Álbuns que recebem nota 5 e 6, faço a gravação em k7, transferindo do arquivo eletrônico para o tape.

Quando decido gravar em fita, o meu procedimento é muito simples: gravo uma mídia CD-RW com o álbum, toco no DVD ligado ao DAC, passo pelo pré-amplificador e chega ao tape, em uma fita que tenha duração suficiente para ter o álbum completamente gravado.

O vídeo abaixo foi gravado faz um tempo, mas somente hoje decidi subir ao youtube:

 

 

 

Sansui 7070

O aumento do meu acervo de aparelhos está caminhando lentamente para os ostentosos receiveres, deixando um pouco de lado os amplificadores e o tape decks. Tenho visitado diariamente os mais conhecidos meios de compra e venda, para perceber como anda o mercado, que preços estão sendo pedidos e praticados e a velocidade de venda de alguns aparelhos. Nesta brincadeira já percebi quais são os aparelhos cobiçados, quais estão “rodando o mercado” (liquidez), quais estão superfaturados e aqueles que mofam nas prateleiras reais e virtuais.

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E esse é mais um caso do cavalo que passa na sua frente encilhado. O quadrúpede (Sansui 7070) veio acompanhado da sua charrete (Tape Technics M8), que neste momento não me faz falta alguma. O valor pedido estava bem abaixo do mercado (não o livre) e não pude deixá-lo cair nas mãos de um especulador. Fui longe e enfrentei estrada ruim para um bem maior. Logo depois de chegar em casa e ver o 7070 com mais calma para atualizar o meu inventário, lembrei de uma passagem na minha vida relacionado a esse aparelho.

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Durante o final da adolescência e inicio da juventude eu andei com bons grupos de pessoas, donde ninguém se metia em merda e tampouco alguém se destoava no comportamento. Não tínhamos bebedeira, drogas nem arruaça, mas sim muita tentativa de conquistar alguém na noite. Em um desses grupos tinha um colega chamado Diego. Naquela época em que andávamos juntos a sua família morava na Praia de Icaraí – em um belo apartamento – que apesar da localização, não estava virado de frente para a dita cuja. Isso não fazia a menor diferença, pois o imóvel era muito agradável, bem decorado e de excelentes dimensões.

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A sala deste apartamento era dividida em 2 partes em estimados 50m2, onde ambas tinham jogos de sofá (confortabilíssimos); uma das áreas era repleta de plantas (cuidadas com esmero pela mãe do Diego), e a outra estava instalada uma estante de jacarandá com os aparelhos de som do “Seu“ Marcilio,  pai do Diego e da Ive.

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O set do Seu Marcilio era composto de um Receiver Sansui 7070, um Tape Deck Technics RS-T20, um Tape Deck Sony (obsoleto), um Tocadiscos JVC (não recordo o modelo) com cápsula Shure, um par de caixas JVC (SK-15) e um par Pioneer (provavelmente CS33), além de um Gravador de Rolo National autoreverse (obsoleto também). O Diego tinha permissão para ouvir música, contanto que não fizéssemos merda nem com o aparelhos, nem com os discos do pai. A imponência do receiver, bem no centro da estante como destaque, o tocadiscos no canto ao lado da poltrona de leitura preferida, as caixas JVC no chão e as Pioneer no ponto mais alto, são lembranças mágicas pra mim.

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O que me fez então ter um sentimento tão vivo por esse momento? Provavelmente pela juventude onde tudo é novidade, por bons momentos com uma patota que só acrescentava na vida da gente, por um ambiente sereno e de paz, por um exemplo do que pode ser qualidade de vida e por uma família que nos recebia de braços abertos. O receiver é somente um elo de ligação de todo esse roteiro que passa na minha cabeça, mas ele se tornou um gatilho como são os cheiros e as texturas. Quando não tínhamos nada para fazer no sábado, nós nos juntávamos na cozinha para fazer pizza e caipirinha (eu não bebia) e assistir um filme VHS alugado especialmente para a noite. Além disso, outra motivação era de ir até lá e ver a Ive, o qual sofria uma paixãozinha por ela; como nunca tive coragem de me abrir, talvez ela nunca tenha percebido isso.

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Um parêntesis: no quarto da Ive tinha um set completo da Telefunken HR240+TC400, mas nunca tive oportunidade de ouvi-lo funcionando.

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Com qual setup eu vou?

Vou para onde? Para onde minha imaginação me levar, ouvindo meus álbuns preferidos, na solidão do quarto.

Como gosto de misturar tecnologias distintas e alternar os aparelhos que recupero, tive algumas combinações que, em parte, foram do passado e não retornarão.

1 – O principio de tudo:

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O Receiver Philips AH749 foi pego num pagamento de aulas que havia dado à irmã de um amigo. Como conhecia esse aparelho de longa data, a iniciativa de recebe-lo foi minha e continua sendo a minha melhor escolha.

As caixas estão hoje repousando em outra casa, sendo estas Vox70s as principais por aproximadamente 8 anos. O equalizador Cygnus era necessário para “enquadrar” esse receiver com as Polyvox, hoje desnecessário pelas mudanças que fiz ao longo do tempo.

Em paralelo eu tinha um amplificador Gradiente LAB40, empurrando suas Bravox para ouvir o som do DVD e do VHS. O pequeno amp espera por restauração e as caixas, por um novo projeto.

2 – O potencial desperdiçado:

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Esse Yamaha CR-620 me foi vendido na confiança de funcionamento impecável. O que na verdade ocorreu é de que o sistema de proteção não arma parte da amplificação e os canais direito não funcionam.

E por quê não voltei ao set anterior?

Simples: porque leva uma manhã inteira para trocar os aparelhos, torcendo para não haver nenhum mal contato. Preguiça mesmo.

3 – O melhor, ever!

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Para quem pegou esse Sansui G-5700 parcialmente desmontado na calçada de um rio do subúrbio, não poderia imaginar que o resultado seria tão bom.

A cristalinidade e a doçura de um aparelho de 75WRMS por canal impressionam a qualquer desavisado. Para minha sorte o divisor de frequência que instalei nas Vox70s aguentam 150wRms, protegendo uma caixa com falantes originais. Deus do céu…que aparelho é esse!

Nessa foto também evidencia o meu Akai GXC-730 recuperado pelo Tonhão, reproduzindo espetacularmente as minhas k7.

4 – Passando uma raiva da porra:

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Esse Sansui AU-555 me aborreceu demais. O problema não é do aparelho, mas da preguiça do técnico em resolver os problemas. Eu já contei a saga dele em outros post e só de lembrar me dá uma paúra

Não sei se ele é bom, ruim, se empurra bem qualquer caixa, nada.

[POV] AKAI AA5210 + GRADIENTE DD-200Q + ALTEC 891

Continuando meus posts sobre o setup principal, tenho aqui o toca-discos Gradiente DD-200Q reproduzindo o álbum “Bring on the night” do Sting.

A cápsula ainda é a original, Pickering XV-15. Apesar de ter comprado uma nova em folha, Stanton EL-500, não tive tempo de trocar pois demanda muita paciência e inúmeros ajustes que podem consumir mais tempo do que o previsto.

Dessa vez decidi usar o Windows Movie Maker , ao invés do GoPro Studio. O software da Microsoft é muito mais amigável, mais efeitos disponíveis, além de aceitar vídeos gravados inclusive de celular.

 

A mais impressionante loja de discos que já conheci

Atenção! Conteúdo adulto!

Se você é louco por Lp´s ou sofre de rinite alérgica, não visite este site!

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Sim, você não está vendo errado: a mais impressionante loja de LP que já visitei fica no Brasil.

Naqueles momentos em que você não tem nada para fazer em uma viagem trabalhando, decidi entrar no google e pesquisar o que havia de interessante nas redondezas. Como estou hospedado no Bairro Anália Franco, mais conhecido como apêndice do Tatuapé, e sendo ruim de geografia, tive de recorrer ao mapa.

Nesta busca, o mais óbvio é que apareçam inúmeros restaurantes (o que em SP é ridículo de bom), mas não uma loja de discos. O resultado me indicou uma loja chamada “Casarão do Vinil”, no bairro da Mooca, distando uns 15 minutos de onde estava.

Colocando para funcionar meu majestoso GPS, o carcamano decidiu se recusar a achar um satélite, me fazendo dirigir pela Zone Leste somente com referência das pessoas que perguntava nas ruas. Para minha sorte, o Paulista dá informação correta do início ao fim. Já passei apertos em Belo Horizonte, onde parei para perguntar várias vezes e ninguém sabia coisa alguma. Lembro de em 2 ocasiões perguntar sobre um lugar que queria (um shopping mall e uma feira) e as pessoas não sabiam onde era, estando não mais que 2 quadras do meu destino.

Ao chegar na rua dos trilhos, me deparei com uma casa rosa e antiga, que reconheci pelas fotos em seu próprio perfil do facebook. O resto é foto…

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Uma casa típica dos anos 50, que se não é meu sonho de consumo, é de muitos aqui…

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Algumas antiguidades espelhadas pelo terreno, fazem você achar que é um antiquário e que estão à venda. Enganou-se redondamente.

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A casa possui 2 andares COMPLETOS com vinil dos mais variados tipos, títulos e artistas. Os preços começam em R$29,00, sendo justo pela qualidade do material, pois não há lp sem capa, rasgado e mal acondicionado.

Te deixei babando? Vá lá babar! Abre de domingo a domingo.

Rua dos Trilhos 1212 – Mooca – São Paulo.

Domingo de sol (#SQN), parte 3

Rio de Janeiro-20151018-01028 Rio de Janeiro-20151018-01029Pode parecer curioso, mas nunca havia visitado a Feira de Acari. Talvez as feiras mais próximas tenham maior atrativo pelo tempo gasto até ir a uma delas. Mas ultimamente fiquei decepcionado com estas que tanto frequentava. Arrumando coragem e indo com o espírito desbravador, me meti no metrô em direção a Fazenda Botafogo.

Esse bairro eu já conhecia de ter trabalhado fazem 5 anos, e minhas lembranças não são as melhores. Assim que cheguei recebi a seguinte recomendação: “Se tiver um carro incendiado ou um latão de 200l, não olhe pra dentro.” Lugar aprazível, não?

Mas a feira se dá junto a linha do metrô e possui razoável organização. Seu apelido – “roubauto” – me parece injusto com a realidade que vivemos hoje; existem comerciantes de porta aberta que emitem nota fiscal de venda por produtos roubados e falsificados. Nós é que somos preconceituosos em definir que tudo lá é roubado.

A minha primeira impressão foi:

“Cacete! A porra da feira é enorme!”

Tem sim de tudo que tem nas outras: porcarias e utilidades.Rio de Janeiro-20151018-01026 IMG-20151018-01020 Rio de Janeiro-20151018-01021 Rio de Janeiro-20151018-01022 Rio de Janeiro-20151018-01024

Tem tumulto? Não, multidão.

Tem furto? Provavelmente, mas não vi ninguém gritando.

É barato? Como qualquer outra feira.

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