Trazendo tudo que possível

Esse acontecimento poderia ter sido em qualquer momento da minha vida, cedo ou tarde, pois disponibilizar os meus aparelhos de coleção dependia somente de espaço. Ou de coragem, eu acho. Por muito tempo eles ficaram guardados na casa de veraneio dos meu pais, em região abençoada pelo sol, vendo e maresia. O meu problema era somente com o último. Por mais que você embale os seus aparelhos, mantenham-nos dentro de armário e deixe a casa fechada, a oxidação acontece sem interrupção e você vira um mero enxugador de gelo.

Estes aparelhos fazem parte da minha pequena coleção, a qual tenho orgulho. Aliás, deveria ter mesmo orgulho pois com meu esforço e dinheiro que assim o montei. Alguns foram ganhos, presenteados por pessoas que sabiam que eu gostava e colecionava. Dentre todos, eu tinha uma esperança de que exporia em uma bela estante, restauraria e ouviria funcionando quando assim desejasse.

Por mais que você seja coerente com suas ideias, elas mudam conforme o tempo passa. Hoje não me interesso tanto por tape deck, colocando à venda alguns da minha lista; amplificadores, seguindo a mesma linha de raciocínio, terão exemplares vendidos. O foco agora é manter os receiveres no acervo e definitivamente restaurá-los.

Até porque o que fiz até o momento foi consertar, não restaurar.

Essa decisão ocorreu após o ocorrido postado aqui no blog (https://v8andvintage.wordpress.com/2017/02/13/deu-ruim-tambem/), percebendo que não deveria manter mais o aparelhos embalados. A despesa só tenderia a aumentar sem que sequer perceba retorno nem satisfação. Então, trá-los-ei para perto de mim (aprendi com o TEMER).

Essa programação foi forçada também pela procura acirrada por alguns aparelhos que anunciei, como os tapes Marantz Model 5030, Technics M8 e RS-615. A procura foi grande e, motivado por um depósito adiantado, fui até Cabo Frio para resgatar.

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IMG_00001467.jpgEsse trabalho foi hercúleo, pois cada equipamento do alto do armário demandava subir e descer as escadas. Então contem: 19 equipamentos x 3 degraus de escada = 57 degraus.

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Mas não para por ai…

Os equipamentos que estavam no 2o. andar eram guardados em carrinhos. Pois 10 equipamentos x 10 degraus = 100 degraus. Essa brincadeira me fez gastar calorias e suar igual a um porco assado no rolete.

Considere que o receiver mais leve pese 8kg, o mais pesado 15kg; o tape mais leve pese 3kg e o mais pesado, 8kg. Minha esposa que ajudava disse que este exercício era mais eficiente que os proferidos no DVD das Solange Frazão.

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Para piorar o meu carro não é uma van, nem SUV, nem pick-up, mas sim um hatch 1.0 com bancos deitados. Não posso nunca reclamar da Renault, pois esse carro já fez ao menos 5 viagens completamente lotado, nunca percorrendo menos de 200km por trecho. Vai ser guerreiro assim na PQP!

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Com certo ritmo, desço os equipamentos, coloco próximo ao carro, carrego o carro, busco uma arrumação para não danificar nada. Cansativo para quem é sedentário ou esportista. Terminado isso, retorno às minha cidade dirigindo um carro com pelo menos 300kg no salão a 100km/h e torcendo para não pegar nada que fure meus pneus.

Por falta de espaço, ainda ficaram as caixas Polyvox Vox70s e o tape de rolo Sony TC377-4

Acabou? Não senhor.

Pegue todos esses equipamentos, que estão fora de ordem, espalhe pela sua garagem para reorganizar, coloque no carrinho de compras do seu prédio e faça 5 viagens de elevador.

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Acabou agora? Calma apressado…

Separe um aparelho para você ouvir enquanto estiver na sua casa. Ele deve ser confiável e que não precise passar pelas mãos de um técnico. Então separe um Sansui mesmo; vá de G5700.

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Dessa vez acabou? Não. Espere sentado.

Viaje mais 190km para Angra dos Reis, lugar para onde sua empresa te empurrou e descarregue os equipamentos que pôs para vender. Eles tem de estar próximos por um óbvio motivo: se aparecer alguém desesperado para comprar, posso despachar via PAC no dia seguinte ao depósito bancário. Se tivesse deixado em Niterói, teria de viajar de volta, gastando em torno de 30litros de gasolina:

Faça a conta: 30 litros x R$3,80/litro = R$114,00 + R$4,80 de pedágio  = jogar dinheiro fora.

Resumindo: esse foi o meu carnaval de folia e descanso.

Babando na gravata (ou como sonhar com uma outra realidade)

A realidade é essa: vivemos num pais de terceiro mundo. Me parece que nós estamos satisfeitos com nossa condição social, econômica e ética, onde cada um espera pelo outro.

Tudo bem se o empresário reclama das altas taxas pagas nos bancos, se a carga tributária é extorsiva e se o nosso mercado não serve para principiantes. Mas, definitivamente, ele não gosta muito de eficiência. Não cobrar por resultados com funcionários que não sabem como melhorá-los também não leva a nenhum êxito.

O empresariado também não quer se arriscar em nada, pois é óbvio que o retorno em pagar propina é muito maior do que o patrocínio. Mas ele não vai assumir essa posição, pois se há algo que ainda existe e está ficando mais raro é a hierarquia.

Aonde quero chegar? No ponto mestre desta revista.

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Um colega de trabalho natural da Austalia, John Nelson, se juntou ao grupo de trabalho aqui onde estamos no momento. Um determinado dia, no trajeto entre o condomínio e o estaleiro, conversávamos sobre muscle cars e hot rods, quando abordei sobre a revista FUEL, editada em sua terra natal. Ele prontamente intervém: “Tell me the name of this mag and I´ll ask my broher-in-law to buy some issues”. Neste mesmo dia ele disse que seu cunhado conseguiu 4 exemplares e eu, claro, me controlei para não soltar fogos dentro do escritório.

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Essa publicação bimensal australiana é soberba nos temas, nas fotos, na edição e no material. Aqui em nosso país talvez publicações deste naipe sejam as ligadas a relojoaria (como a Pulso) e as relacionadas a decoração e náutica. Fica óbvio que é possível e há consumidor de outros nichos não tão requintados que querem que seus artigos estejam estampados em publicações mais esmeradas, mais caprichadas.

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Um exemplo do que escrevo remete a uma revista de hot dos brasileira que, não somente é cara como também é mal escrita e mal diagramada. Se está disposto a pagar mais de R$14,00 por uma publicação, espera-se qualidade no conteúdo e no mínimo capricho.

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Retomando…por uma cagada dele mesmo (do crocodilo dundee, digo), seu retorno ao Brasil depois do home leave (retorno para descanso aos expatriados para sua residência) foi adiado devido ao visto de entrada em nosso país.

Pois ontem, meio-acordado-meio-dormindo, ele se senta ao meu lado no ônibus, me cumprimenta e diz:

“Hey buddy. I brough your mags, but I left on apartment because my bag is full of stuffs…”

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Hoje, já sentado em minha mesa, o dito cujo trouxe 4 exemplares (20 a 23) da tal revista. A sensação foi uma mistura de gratificação (por ele ter sido tão empenhado) e de indignação (por não poder comprar diretamente no Brasil). Hoje mesmo retribuirei o presente com uma bela cachaça mineira.

E não sei se guardo no cofre ou no deixo no meu altar particular…

Deu ruim, também.

No post https://v8andvintage.wordpress.com/2017/01/02/deu-ruim-de-novo/ eu havia mostrado o meu Sansui AU555 abrindo o bico, sendo substituído pelo Akai AA5420. Já no post https://v8andvintage.wordpress.com/2017/01/09/gravando-videos-com-microfone-externo/ eu mostro esse amp funcionando em um teste do microfone de lapela que havia comprado. E como faria então para ouvir música quando retornasse à minha residência?

Pedi ao meu sobrinho se separasse o CCE SR3620, aparelho que reformei fazem ao menos 10 anos e talvez esteja parado há 8 anos. A consequência disso não poderia ser boa. Mesmo bem acondicionado, coberto por um cobertor em uma casa fechada, não há santo que segure o oxigênio.

Meu pai trouxe no carro dele e quando fui visita-lo, busquei na mala de seu carro. É normal que haja ansiedade em colocar um aparelho desses para funcionar, pois me sentia vazio sem um som para ouvir em Niterói e também com um desejo de voltar à ativa uma dos primeiros aparelhos que comprei para reformar.

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Assim que liguei na tomada, mesmo não estando conectado senti um leve cheiro de queimado. Conectei as caixas Bravox e a saída do meu DAC, pois com ele ouviria ao menos CD e MD.

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Qual minha surpresa (ou ainda ficaria surpreso com isso?) ao ligar, ouvi o roncado de saída queimada (60hz). Ótimo…mais um pro conserto. Não deveria me surpreender pois esse aparelho foi mais um daqueles que peguei em feira e que foram substituídos os transistores de saída. Carlinho, no qual já contei a história dele aqui https://v8andvintage.wordpress.com/2016/06/22/marantz-2226/  foi que o pôs a funcionar. Não recapeei o pré-amplificador nem outra seção a não ser o amplificador.

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Isso eu deveria já esperar, e não posso deixar que isso aconteça novamente. Vou pegar todos os meus aparelhos e anunciar vários deles que não fazem mais parte dos meus planos.

Packard de cortejo

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Faz uma semana que, enquanto dirigia com minha esposa no caminho a um restaurante, visualizei esse carro estacionado em uma na via de acesso à BR-101. Do ponto que estava e pelo motivo de estar dirigindo, só havia percebido que o seu porte e jeito eram prá lá de exóticos.

Acontece que, por ter sido muito rápida minha passagem, vários detalhes se perderam e eu então imaginei que o carro era uma adaptação para lanchonete, como havia visto uma vez no Hard Rock Café com um Cadillac.

Mas uma lanchonete não tem uma cruz no teto.

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Ao retornar ao mesmo local no sábado 17, percebi que era um carro fúnebre. Eu particularmente não tenho muitos problemas em lidar com a morte (como cemitério e tal) mas o estado geral do carro, com os roletes enferrujados da mesa, com balaustrada e teto cobrindo o caixão, me arrepiou um pouco.

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Tudo indica que esse carro foi transformado em carro de cortejo fora do Brasil. A engenharia (???) adotada, os recursos utilizados para alongamento de aproximadamente 10 metros e a decoração típica não são características nossas.

Não há qualquer indicação de modelo, fabricante da adaptação, origem, nada. O motor já não está mais lá – provavelmente fundiu – alguém instalou um motor provisório até que fosse determinada sua aposentadoria.

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Pelo que pude perceber o carro originalmente é um cupê 52, com corpo alongado, tendo o seu extremo adaptado do mesmo carro. Como não consegui reconhecer naquele momento, minhas pesquisas mostraram que era do mesmo carro mas com as lanternas traseiras substituídas por um outro modelo.

Não sei quem trouxe, quantos cortejos participou.

Não sei nada.

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Quem dirigiu esse carro?

Quem foi levado nele?

A que funerária serviu?

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O seu interior parece bem original e apresenta o seletor de marchas automático. Não há corrosão que comprometa o seu funcionamento, mas não pude inspecionar melhor como andam as longarinas e as travessas, que permitiriam a movimentação do carro por conta própria.

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Talvez a proposta para esse carro seja mantê-lo do jeito que está, colocar um motor e participar de eventos especiais, pois o seu tamanho não permite entrar em qualquer pátio e seu tema pode repelir muitas pessoas do lugar.

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Pelo que posso perceber o carro foi parcialmente depenado servindo como doador de peças. Não são tão difíceis de achar, ainda se considerar que ele não é mais um Packard original faz muito tempo.

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Esse Packard está a venda como indica a foto com o número de telefone. Para quem não tem receio nem acredita que um espírito pode puxar o seu pé durante o sono, é um carro bem exótico para comprar.

Confraternização do Bielaquente Autoclube de Niterói – parte 2

Os vídeos, para quem não participa do eventos como um associado, são sempre muito bem feitos porque demandam uma dedicação de profissional.

No meu caso estava para encontrar ali amigos e para me divertir. Não dá pra ficar filmando e fotografando o tempo todo porque alguma coisa vou perder. O que saiu foi o suficiente, sem encher linguiça, sem torrar a paciência com excessos.

Neste vídeo decidi colocar uma nova vinheta nos meus arquivos, pois acho que devo dar uma apresentação melhor ao que faço. Eu tento fazer as coisas com razoável capricho; caso contrário nem me chame e nem prossigo. Essa poderá ser minha marca registrada daqui pra frente, pois assim faço quando saio de Dodge, como também tenho a vinheta para áudio (reformulada), onde mostro meu tape Marantz funcionando.

Quando me encher das vinhetas que fiz, posso pensar em mudar. Mas sempre será ligado a algo que vivencio, totalmente dentro da minha realidade.

 

Confraternização do Bielaquente Autoclube de Niterói – parte 1.

Finalmente consegui reencontrar os amigos do Bielaquente, clube que participei por um bom tempo e que organizava um evento mensal de muita popularidade.

Hoje tenho ficado longe o suficiente das minhas coisas e de meus pares me levando a ficar com uma paúra danada. A situação econômica e politica que vivemos hoje te força a aceitar as condições impostas pela sua empresa, pois eles estão com a faca e você com o peito.

Em algumas situações especiais tenho retornado à minha residência por conta própria, pois a sua vida pode ficar temporariamente transferida para outra cidade. Não é somente uma viagem, mas o cerceamento de alguns dos seus direitos e que para vencer a maré, o custo é muito alto.

O encontro foi realizado na Oficina V8 em Niterói, de propriedade do Rudolf Brans. Por um bom tempo ele foi um dos meus mecânicos junto com Marcus Pessanha na antiga Icauto Motors. Depois da separação continuei sendo cliente desta oficina, até que MP decidisse mudar para Penedo, como relatei aqui no blog (https://v8andvintage.wordpress.com/2016/06/14/acabou-o-meu-playground/)

Reencontrar os amigos que não via a muito tempo, não tem preço. Sair com meu Dodge depois de 3 meses, também não.

 

Na próxima postagem mostrarei um vídeo capturado da festa.