Com a pulga: Heathkit AA-14

Eu anunciei esse amplificador para venda nas principais redes de vendas e sociais, pois não pretendo ficar com esses amplificadores menores.

Em um anúncio, um prospectivo comprador perguntou quais eram os transistores de saída, pois eu havia relatado que um dos canais apresentava um volume muito superior do que o outro. Naquela época o “tenico” disse que isso se dava porque um dos transistores era de germânio e o outro de silício. Nesse caso, o germânio tem um ganho muito maior que o de silício, sendo agravado pelo fato desse aparelho não ter controle de balanço.

Havia prometido a mim mesmo que tiraria fotos e responderia a pergunta no dia seguinte. E o que vi me causou estranheza.

 

Esse par de transistores, após minha consulta e leitura do esquema eletrônico, são originais. Sim, um deles é de germânio e o outro é de silício; mas são pares complementares (NPN + PNP). Ou seja, o problema não se trata da diferença entre os pares de transistores, mas sim sobre a percepção do problema. Há uma diferença na alimentação dos componentes por provável falha ou fora de especificação de outro componente. Esse aparelho não possui tripots para ajustes.

Transistor Motorola: P/N 417-101 = TA2577A (equivalente)

Outro Transistor: P/N 7 99-7140 = 2N2148 (equivalente)

 

O capacitor da fonte é de somente 4700 microFarads. Ridículo

E chego a conclusão de que bateu preguiça em avaliar o problema no último técnico a visitar. Digo isso porque o serviço foi muito rápido comparado ao penúltimo profissional, que ficou com o aparelho por 1 mês e não o pôs para funcionar. Esse seria um dos aparelhos mais simples em sua arquitetura e nem assim foi bem-sucedido.

O aparelho funciona? Sim

Com sua plena potência? Nem de longe.

Um desafio para que for consertar? Tá de sacanagem…

Vendendo, embalando e expedindo: Technics RS-TR373

Finalmente outro aparelho foi vendido. Esse tape Technics eu queria mais consertar, pois passei a preferir aqueles que vou manter na coleção: Marantz 5420, Akai GXC730D e Nakamichi CR-1A.

O feliz comprador pretende usar peças desse aparelho para recuperar o seu. Acho uma boa idéia, pois visualmente o meu aparelho não está dos melhores. É uma pena que este seja o fim, mas não tem jeito: na natureza alguém morre para outro viver.

O valor foi um pouco mais do que simbólico, pois já incluia o frete. Se saísse muito caro, talvez pedisse uma ajuda para não ficar no prejuízo.

Um tropeço, um achado

O seu dia de sorte não está marcado no calendário fixado na porta da geladeira. Ele está assinalado no calendário Dele.

Se você não sabe que quando escrevemos Ele ou Dele (com maiúsculas), estamos falando de Deus.

Mas quando Ele decide te dar uma canjinha de sorte, você deve agarrar. O meu dia foi nessa Páscoa, onde passei em casa e visitei os próximos quando o tempo permitiu.

Domingo de manhã, meio preguiçoso para ir a uma feira, com agenda apertada devido a um almoço de família e compromisso de comprar para um colega de trabalho um par de lanternas de Puma GTE, passei por uma porta onde a muito tempo não via aberta. Esta era uma oficina de eletrônica, quase em frente ao meu portão de casa, de um senhor que passou 12 anos fora de lá, morando em outra cidade e pagando um aluguel caro. Não era novidade para mim que ali haviam vários aparelhos que poderiam interessar, mas a surpresa foi de que nada havia ido embora, nem estragado. O que era ruim assim ficou, porque era ruim mesmo.

Entrei e comecei a conversar com ele e, acredito eu, que não tenha me reconhecido; nem minha conversa de “cerca Lourenço” em saber sobre os aparelhos. Perguntei sobre os aparelhos “da casa” (são aqueles que passam a ser da oficina por falta de pagamento ou devolução) e ele me disse que muita coisa tinha sido jogada fora. Entre fios desencapados e estantes cambaleantes, pedi permissão para ver o que ele tinha.

Existe o óbvio, como Gradientes e CCEs, que possuem liquidez por causa dos saudosistas que não tiveram oportunidade para comprar um novo, agora podem realizar o sonho e desfrutar daquilo que não podiam.

Existem também aqueles que são os “micro-preto”, pois são mais difíceis de consertar pela falta de peças, mas não pela qualidade construtiva. Decididamente os aparelhos não fariam parte da minha coleção (exceto pela fácil disponibilidade), mas pelo pensamento que corre a minha cabeça:

“E se eu pagar pelo lote, limpar a loja e anunciar para revenda?”

Daria trabalho em demover a pilha, colocar num carrinho, limpar e catalogar. Provavelmente não pediria ajuda a ninguém. Quem tem alergia ou rinite, que fique de fora.

Por um preço razoável, poderia anunciar e ganhar um trocado. Não ficaria rico com isso.

Os tocadiscos basicamente seriam para doação de peças, pois não acredito que algum ali funcione.

Então: faço o trabalho sujo ou deixo passar?

 

Evento do Nictheroy – Abril de 2017

O relógio passa e você não percebe. Faziam 4 meses que não andava com o meu carro. Fazia 1 mês que não voltava pra casa. Fazia muito tempo que não ligava o Dodge.

E isso se torna um problema. Ter um carro e não poder usar te traz mais problemas que economia de dinheiro. Eis que surge uma pergunta: porquê não posso usar?

A resposta é simples: porque não estou próximo a ele e não posso viajar o tempo todo. Sai caro, muito caro mesmo com um carro 1.0 e procurando os postos de combustível com preço mais baixo, mas não me permitindo abastecer com produto duvidoso.

Se eu voltasse pra casa todos os finais de semana, custaria no mínimo R$600,00/mês. Imagine como esse dinheiro poderia ser revertido?

  • Em 2 meses compraria uma quadrijet;
  • Por mês teria um bom receiver vintage;
  • De 3 a 4 jantares em um bom restaurante;
  • A cada 20 dias encheria o tanque do Dodge de gasolina pódium.

Não é questão de ser muquirana. É pensar nas prioridades.

Mas mesmo assim sobrevivo e tento me divertir com o que há. Por isso forcei a minha própria barra em ir ao evento, não esperando encontrar ninguém sequer fazer compras no Sam´s Club. Ainda sim vale à pena.

 

nictheroy_abr_170011nictheroy_abr_170012nictheroy_abr_170015nictheroy_abr_170016nictheroy_abr_170017nictheroy_abr_170018nictheroy_abr_170019nictheroy_abr_170020nictheroy_abr_170021nictheroy_abr_170022nictheroy_abr_170023nictheroy_abr_170024nictheroy_abr_170025

 

Trazendo tudo que possível

Esse acontecimento poderia ter sido em qualquer momento da minha vida, cedo ou tarde, pois disponibilizar os meus aparelhos de coleção dependia somente de espaço. Ou de coragem, eu acho. Por muito tempo eles ficaram guardados na casa de veraneio dos meu pais, em região abençoada pelo sol, vendo e maresia. O meu problema era somente com o último. Por mais que você embale os seus aparelhos, mantenham-nos dentro de armário e deixe a casa fechada, a oxidação acontece sem interrupção e você vira um mero enxugador de gelo.

Estes aparelhos fazem parte da minha pequena coleção, a qual tenho orgulho. Aliás, deveria ter mesmo orgulho pois com meu esforço e dinheiro que assim o montei. Alguns foram ganhos, presenteados por pessoas que sabiam que eu gostava e colecionava. Dentre todos, eu tinha uma esperança de que exporia em uma bela estante, restauraria e ouviria funcionando quando assim desejasse.

Por mais que você seja coerente com suas ideias, elas mudam conforme o tempo passa. Hoje não me interesso tanto por tape deck, colocando à venda alguns da minha lista; amplificadores, seguindo a mesma linha de raciocínio, terão exemplares vendidos. O foco agora é manter os receiveres no acervo e definitivamente restaurá-los.

Até porque o que fiz até o momento foi consertar, não restaurar.

Essa decisão ocorreu após o ocorrido postado aqui no blog (https://v8andvintage.wordpress.com/2017/02/13/deu-ruim-tambem/), percebendo que não deveria manter mais o aparelhos embalados. A despesa só tenderia a aumentar sem que sequer perceba retorno nem satisfação. Então, trá-los-ei para perto de mim (aprendi com o TEMER).

Essa programação foi forçada também pela procura acirrada por alguns aparelhos que anunciei, como os tapes Marantz Model 5030, Technics M8 e RS-615. A procura foi grande e, motivado por um depósito adiantado, fui até Cabo Frio para resgatar.

IMG047 (2).JPGIMAGE_109.jpg

IMG_00001467.jpgEsse trabalho foi hercúleo, pois cada equipamento do alto do armário demandava subir e descer as escadas. Então contem: 19 equipamentos x 3 degraus de escada = 57 degraus.

0141.jpg

Mas não para por ai…

Os equipamentos que estavam no 2o. andar eram guardados em carrinhos. Pois 10 equipamentos x 10 degraus = 100 degraus. Essa brincadeira me fez gastar calorias e suar igual a um porco assado no rolete.

Considere que o receiver mais leve pese 8kg, o mais pesado 15kg; o tape mais leve pese 3kg e o mais pesado, 8kg. Minha esposa que ajudava disse que este exercício era mais eficiente que os proferidos no DVD das Solange Frazão.

equipos_002

Para piorar o meu carro não é uma van, nem SUV, nem pick-up, mas sim um hatch 1.0 com bancos deitados. Não posso nunca reclamar da Renault, pois esse carro já fez ao menos 5 viagens completamente lotado, nunca percorrendo menos de 200km por trecho. Vai ser guerreiro assim na PQP!

equipos_003
Com certo ritmo, desço os equipamentos, coloco próximo ao carro, carrego o carro, busco uma arrumação para não danificar nada. Cansativo para quem é sedentário ou esportista. Terminado isso, retorno às minha cidade dirigindo um carro com pelo menos 300kg no salão a 100km/h e torcendo para não pegar nada que fure meus pneus.

Por falta de espaço, ainda ficaram as caixas Polyvox Vox70s e o tape de rolo Sony TC377-4

Acabou? Não senhor.

Pegue todos esses equipamentos, que estão fora de ordem, espalhe pela sua garagem para reorganizar, coloque no carrinho de compras do seu prédio e faça 5 viagens de elevador.

Equipos_004.JPG

Acabou agora? Calma apressado…

Separe um aparelho para você ouvir enquanto estiver na sua casa. Ele deve ser confiável e que não precise passar pelas mãos de um técnico. Então separe um Sansui mesmo; vá de G5700.

IMG_20170227_230744.jpg

Dessa vez acabou? Não. Espere sentado.

Viaje mais 190km para Angra dos Reis, lugar para onde sua empresa te empurrou e descarregue os equipamentos que pôs para vender. Eles tem de estar próximos por um óbvio motivo: se aparecer alguém desesperado para comprar, posso despachar via PAC no dia seguinte ao depósito bancário. Se tivesse deixado em Niterói, teria de viajar de volta, gastando em torno de 30litros de gasolina:

Faça a conta: 30 litros x R$3,80/litro = R$114,00 + R$4,80 de pedágio  = jogar dinheiro fora.

Resumindo: esse foi o meu carnaval de folia e descanso.

Babando na gravata (ou como sonhar com uma outra realidade)

A realidade é essa: vivemos num pais de terceiro mundo. Me parece que nós estamos satisfeitos com nossa condição social, econômica e ética, onde cada um espera pelo outro.

Tudo bem se o empresário reclama das altas taxas pagas nos bancos, se a carga tributária é extorsiva e se o nosso mercado não serve para principiantes. Mas, definitivamente, ele não gosta muito de eficiência. Não cobrar por resultados com funcionários que não sabem como melhorá-los também não leva a nenhum êxito.

O empresariado também não quer se arriscar em nada, pois é óbvio que o retorno em pagar propina é muito maior do que o patrocínio. Mas ele não vai assumir essa posição, pois se há algo que ainda existe e está ficando mais raro é a hierarquia.

Aonde quero chegar? No ponto mestre desta revista.

fuel_001

Um colega de trabalho natural da Austalia, John Nelson, se juntou ao grupo de trabalho aqui onde estamos no momento. Um determinado dia, no trajeto entre o condomínio e o estaleiro, conversávamos sobre muscle cars e hot rods, quando abordei sobre a revista FUEL, editada em sua terra natal. Ele prontamente intervém: “Tell me the name of this mag and I´ll ask my broher-in-law to buy some issues”. Neste mesmo dia ele disse que seu cunhado conseguiu 4 exemplares e eu, claro, me controlei para não soltar fogos dentro do escritório.

fuel_002

Essa publicação bimensal australiana é soberba nos temas, nas fotos, na edição e no material. Aqui em nosso país talvez publicações deste naipe sejam as ligadas a relojoaria (como a Pulso) e as relacionadas a decoração e náutica. Fica óbvio que é possível e há consumidor de outros nichos não tão requintados que querem que seus artigos estejam estampados em publicações mais esmeradas, mais caprichadas.

fuel_003

Um exemplo do que escrevo remete a uma revista de hot dos brasileira que, não somente é cara como também é mal escrita e mal diagramada. Se está disposto a pagar mais de R$14,00 por uma publicação, espera-se qualidade no conteúdo e no mínimo capricho.

fuel_004

Retomando…por uma cagada dele mesmo (do crocodilo dundee, digo), seu retorno ao Brasil depois do home leave (retorno para descanso aos expatriados para sua residência) foi adiado devido ao visto de entrada em nosso país.

Pois ontem, meio-acordado-meio-dormindo, ele se senta ao meu lado no ônibus, me cumprimenta e diz:

“Hey buddy. I brough your mags, but I left on apartment because my bag is full of stuffs…”

fuel_005

Hoje, já sentado em minha mesa, o dito cujo trouxe 4 exemplares (20 a 23) da tal revista. A sensação foi uma mistura de gratificação (por ele ter sido tão empenhado) e de indignação (por não poder comprar diretamente no Brasil). Hoje mesmo retribuirei o presente com uma bela cachaça mineira.

E não sei se guardo no cofre ou no deixo no meu altar particular…