Evento anual do Nichteroy – 2017

Me desdobrei para ir ao evento deste ano. Chegando tarde em casa no sábado, suspeita de pane seca no Dodge e um carro que com sua capa não é lavado a quase 6 meses, meu irmão visitando meus pais por ocasião do aniversário da filha, eu enchi meu peito de coragem e dar um “foda-se” ao cansaço.

O lugar deste ano é tão bonito quanto aos anteriores, mas os acessos são melhores e é mais confortável para quem está somente querendo passear. Os quiosques e os food trucks não apresentam o mesmo refinamento e conforto dos restaurantes da orla da Praia de São Francisco, mas não decepcionaram. Chegar cedo neste evento não somente é uma estratégia como também uma necessidade. Precisava depois voltar pra casa, arrumar tudo, almoçar e depois dirigir 2,5 horas até Angra dos Reis.

Até o momento que estive (12:00h) não vi algo que muito diferente dos outros eventos. Exceto pelo pessoal dos Fiats 147, onde um associado levou uma Oggi CSS. Soube também que vários Ford Mavericks deixaram de ir ao evento pois havia outro sendo realizado na mesma data.

Alguns objetivos foram cumpridos: tirar o carro da garagem, encontrar os colegas com quem só falo no whatsapp, ver as barracas de memorabilia e peças. Repetindo o que fiz ano passado, filmei mais que fotografei, rendendo 2 videoclipes pequenos mas bem interessantes. Percebi que é melhor filmar e resumir com clipes personalizados do que ficar narrando toda e qualquer coisa que aparecesse. As músicas agora, por experiência que venho obtendo, são sem direitos autorais e não sou penalizado no youtube.

Com a vida carregada de muito trabalho e quase zero de lazer, foi lucro.

 

 

 

 

 

Mostrando a cara: dicas de como escolher seu primeiro carro antigo.

Não lembro de um tutorial disponível de como comprar seu primeiro carro antigo (não estou dizendo que não exista; só não lembro). Poucas pessoas se dedicam a explicar como, porquê e quando. Poucos mostram a cara pra bater.

Minhas dicas podem não agradar aos já introduzidos ao antigomobilismo, mas certamente orienta aos marinheiros de primeira viagem. Não é “cagação-de-regra” como já ouvi; é aconselhamento.

E de graça.

Jogando fora um carburador: DFV 228

Esse carburador me foi encaminhado para tentar alguma recuperação sem recondicioná-lo. O carro que utiliza é um Opala 2500 que está parado na garagem. Pensei ainda em colocá-lo em um banho de ultra-som para retirar impurezas, colocar nova boia, estilete e juntas, mas…

Instantâneo 1 (05-06-2017 09-46)

…o caboclo furou a base do carburador para colocar o maldito injetor de GNV.

Uma coisa é não saber o que está fazendo; outra é fazer merda deliberadamente.

Assistam ao vídeo e entenderão.

Imprimindo uma marca, parte 2

Os poucos que leram o meu post anterior (https://v8andvintage.wordpress.com/2017/05/08/imprimindo-uma-marca/) podem ter ficado com dúvida sobre o real propósito de criar uma marca. Acho que aqui não só vou esclarecer como colocar no papel meus pensamentos.

1 – Carros:

Adquiri um conhecimento razoável e participei de alguns projetos que me deram experiência para iniciar os meus próprios de personalização. Quando escrevo personalizar recaio sobre o termo em inglês Bespoke, que traz ao seu empenho a característica básica que não se repetiria em outro projeto.

Eu não fiquei restrito a execução dos projetos, mas também no planejamento de vários deles. Tenho em minha mente os Lessons Learned, onde aprendi muito com os erros do outros. Não é cópia; é aprendizado.

2 – Motos:

Quando mais jovem e durante férias frequentava muito a oficina mecânica do Issa, em Barra de São João, local que só no início levei minha mobilette para manutenção. Depois disso passei a fazer eu mesmo esse trabalho.

Isso não me limitou a ficar nesse mundinho do aro 17″, mas eu aproveitava cada minuto para aprender sobre outras motos. Nesta mesma época acompanhava um colega chamado Douglas, que tinha a sorte de ter algumas motos dos meus sonhos:

  • RD350 1973;
  • GT 250 1972;
  • RD350 1997;
  • K900 1970;
  • CB450 1988.

Mexia dali, fuçava daqui, sonhava acolá. E me diverti muito.

O meu dia a dia é de acompanhar e inspecionar fabricação mecânica, soldagem, montagem, pintura, acabamento, testes, cálculos, emitir relatórios, atender auditorias…mais experiência agregada. E posso levar todo esse conhecimento para a construção de equipamentos personalizados.

3 – Som vintage:

Talvez seja o tema onde teria mais conhecimento mas menos habilidade manual. A curva de aprendizado foi gerada enquanto fui responsável por manutenção de equipamentos inclusive eletrônicos, somado ao que aprendi na Universidade me permitem opinar e fazer as melhores escolhas.

Novo madeiramento, novo acabamento, novos gabinetes, todos recaem sobre fabricação mecânica onde já atuo. No caso de eletrônica pesada, como sempre fiz, passarei para mão de terceiros.

Aliás, taí um mito no ramo da personalização: a terceirização.

Não há espaço hoje para que haja uma horizontalização das atividades empresariais. Em grandes empresas antigas que visitei, muitas delas tiveram ativas um setor de marcenaria onde fabricavam o próprio mobiliário. Hoje isto soa absurdo, considerando a quantidade de fabricantes de mobiliário existentes no mercado de alta qualidade.

Muitos empresários tem a idéia e a capacidade de gerenciar, que por fim terceirizam todas as atividades meio.

Não há nada de mal nisso e não vejo outra alternativa. Contrate os melhores e serás um deles.

Imprimindo uma marca

Alguns sonhos nunca saem da sua cabeça. São eles que te motivam a acordar pela manhã e fazer algo útil, produtivo e deixando um legado. Esse legado é o que me incomoda hoje. E muito.

Há uma palestra carregada no youtube do Mario Sergio Cortella, no qual ele pergunta: se você não existisse, que falta faria? A pergunta ela te induz a uma resposta emocional, onde com certeza a resposta seria direcionada à sua família e seus amigos. Mas não é bem isso que ele quer saber: a resposta deveria ser sobre sua imortalidade de idéias e de atitude.

Eu venho maquinando a muito tempo sobre fazer algo diferente do que faço agora, mas não distante do que já lidei. Quando entrei para Engenharia Mecânica na Universidade Santa Úrsula, meu foco era a industria automotiva donde comecei sendo estagiário do laboratório de motores desta instituição tamanho meu entusiasmo. Depois obtive diplomas da Chevrolet por meio de cursos na Semana de Engenharia. Por mais que queiramos muito uma coisa, tenho certeza de que o destino te empurra para uma lado, não te dá satisfação e também você não percebe que mudou o rumo quase por completo. Sua mente fica dormente e uma cegueira te aplaca quando você começa a ganhar algum dinheiro com isso. Aliás, você sempre considera que deva haver alguma recompensa pleo trabalho realizado.

Essa força foi empurrando, empurrando, empurrando… e foi aflorando uma insatisfação incomoda; e deveria ser assim mesmo. Acredito que a chegada aos 40 anos tornou meu intimo muito mais insatisfeito do que de costume, percebendo que uma vida corria lá fora e aqui, fazia tanto frio. Vida gelada, sem entusiasmo, raros momentos de prazer genuíno. Tocando a vida com uma baseline bem modesta, não havia grandes flutuações de entusiasmo e frustração. Nessas horas, o morno é uma bosta. Não há precaução nem coragem.

Muitos assim querem tocar sua vida, burocrática e sem grandes experiências. Não estou disposto a isso, porque quero ver o por do sol na janela de casa, não na janela do ônibus.

Hoje, baseado nos compromissos que tenho, estou preso a essa realidade de acordar 5:30, botar o macacão, ser burocrático, almoçar, ser burocrático, ir embora 18:15, jantar, ficar com uma cara de idiota frente à tv, ir dormir. Não sou criativo, não sou exigido, não sou destacado, não sou percebido. Isso mexe com o humor, com as relações interpessoais, com a família, com o casamento. Dificilmente há um sorriso.

Qual então seria o meio de mudança prevista, prática e factível? Criar sua própria marca. Produzir e divulgar o seu trabalho, handmade, trabalhar com a função e a estética, lidar com as pessoas, ser estimulado, lidar com o belo e fazer o belo.

Sim, eu posso e sei como fazer.

Sim, eu sei onde e por quanto

Sim, eu sei com quem e aonde.

Mas eu não posso pensar em tocar esse projeto somente quando a vaca for pro brejo. Tenho de arrumar um meio de fazê-lo em paralelo ao que faço, enquanto tenho dinheiro e saúde.

Nada disso vem gratuitamente e nem sem esforço. Requer inclusive muito estudo de como colocar suas criações disponíveis no mercado, de como apresentar uma proposta e de como não cair na tentação de querer ganhar dinheiro no primeiro trabalho. Estudo de Briefing, mercado, publico-alvo, valores e o mais importante, o logotipo.

E alguém quer o meu serviço, minhas idéias e meus produtos nessa crise que vivemos? Sinceramente não sei. Não são gêneros de necessidade mas também não são de luxo. Em uma economia pujante com certeza eu teria clientes. Agora, só dúvidas.

Até agora isso me custou algumas horas de conexão de internet, já pagas e sem franquia. Tá barato.

Dirigindo pro evento do Nichteroy – abril 2017

Não existe nada pior do que ficar com o carro sem dirigir por um período de tempo. Tudo parece pior, o freio agarra, o injetor engasga, a porta demora a abrir, o pneu fica quadrado…que merda.

Mas eu tive de me forçar a abrir um espaço na agenda para ligar, dirigir e gastar um pouco da gasolina podium no tanque. Fazer os fluidos circularem diminuem o envelhecimento.

Eu acho que estou envelhecendo mais rápido do que o tempo passa.

Precisamos nos movimentar. Eu e o Dodge.

A câmera é do celular, o suporte é do GPS e não usei microfone externo. Quem achar chato avance para o último minuto do vídeo.

Evento do Nictheroy – Abril de 2017

O relógio passa e você não percebe. Faziam 4 meses que não andava com o meu carro. Fazia 1 mês que não voltava pra casa. Fazia muito tempo que não ligava o Dodge.

E isso se torna um problema. Ter um carro e não poder usar te traz mais problemas que economia de dinheiro. Eis que surge uma pergunta: porquê não posso usar?

A resposta é simples: porque não estou próximo a ele e não posso viajar o tempo todo. Sai caro, muito caro mesmo com um carro 1.0 e procurando os postos de combustível com preço mais baixo, mas não me permitindo abastecer com produto duvidoso.

Se eu voltasse pra casa todos os finais de semana, custaria no mínimo R$600,00/mês. Imagine como esse dinheiro poderia ser revertido?

  • Em 2 meses compraria uma quadrijet;
  • Por mês teria um bom receiver vintage;
  • De 3 a 4 jantares em um bom restaurante;
  • A cada 20 dias encheria o tanque do Dodge de gasolina pódium.

Não é questão de ser muquirana. É pensar nas prioridades.

Mas mesmo assim sobrevivo e tento me divertir com o que há. Por isso forcei a minha própria barra em ir ao evento, não esperando encontrar ninguém sequer fazer compras no Sam´s Club. Ainda sim vale à pena.

 

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