Um tropeço, um achado

O seu dia de sorte não está marcado no calendário fixado na porta da geladeira. Ele está assinalado no calendário Dele.

Se você não sabe que quando escrevemos Ele ou Dele (com maiúsculas), estamos falando de Deus.

Mas quando Ele decide te dar uma canjinha de sorte, você deve agarrar. O meu dia foi nessa Páscoa, onde passei em casa e visitei os próximos quando o tempo permitiu.

Domingo de manhã, meio preguiçoso para ir a uma feira, com agenda apertada devido a um almoço de família e compromisso de comprar para um colega de trabalho um par de lanternas de Puma GTE, passei por uma porta onde a muito tempo não via aberta. Esta era uma oficina de eletrônica, quase em frente ao meu portão de casa, de um senhor que passou 12 anos fora de lá, morando em outra cidade e pagando um aluguel caro. Não era novidade para mim que ali haviam vários aparelhos que poderiam interessar, mas a surpresa foi de que nada havia ido embora, nem estragado. O que era ruim assim ficou, porque era ruim mesmo.

Entrei e comecei a conversar com ele e, acredito eu, que não tenha me reconhecido; nem minha conversa de “cerca Lourenço” em saber sobre os aparelhos. Perguntei sobre os aparelhos “da casa” (são aqueles que passam a ser da oficina por falta de pagamento ou devolução) e ele me disse que muita coisa tinha sido jogada fora. Entre fios desencapados e estantes cambaleantes, pedi permissão para ver o que ele tinha.

Existe o óbvio, como Gradientes e CCEs, que possuem liquidez por causa dos saudosistas que não tiveram oportunidade para comprar um novo, agora podem realizar o sonho e desfrutar daquilo que não podiam.

Existem também aqueles que são os “micro-preto”, pois são mais difíceis de consertar pela falta de peças, mas não pela qualidade construtiva. Decididamente os aparelhos não fariam parte da minha coleção (exceto pela fácil disponibilidade), mas pelo pensamento que corre a minha cabeça:

“E se eu pagar pelo lote, limpar a loja e anunciar para revenda?”

Daria trabalho em demover a pilha, colocar num carrinho, limpar e catalogar. Provavelmente não pediria ajuda a ninguém. Quem tem alergia ou rinite, que fique de fora.

Por um preço razoável, poderia anunciar e ganhar um trocado. Não ficaria rico com isso.

Os tocadiscos basicamente seriam para doação de peças, pois não acredito que algum ali funcione.

Então: faço o trabalho sujo ou deixo passar?

 

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3 opiniões sobre “Um tropeço, um achado

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