O culpado nunca aparece

Lembro de quando criança que em alguns momentos de peraltice (minha e das outras crianças) algo era quebrado, todas as que participavam da merda saiam correndo para que não fossem descobertas. O dono do retrovisor, o porteiro do prédio, o caseiro da casa – se aparecessem – ficavam olhando o prejuízo com cara de bobo e assumia a conta.

O pior problema é quando algum adulto te dá algum prejuízo e faz a mesma cara de paisagem, como se não tivesse feito nada, murmurando aquele “poxa”… O culpado nunca aparece. Ele não quer assumir, digo em primeiro lugar, a conta a ser paga. Não é nem a vergonha pela imprudência, mas não quer tomar uma mordida do escorpião.

O culpado nunca aparece.

Qualquer coisa de madeira ou de papel vira material reciclável nas mãos daqueles que não tem o menor cuidado de nada. Não cuidam dos seus próprios negócios, imagina o dos outros? E você, palhaço, tem de consertar o estrago.

“Como duas pessoas que estão no elevador, um deles peida e na maior desfaçatez diz para o outro: não fui eu!”

As minhas caixas Polyvox Vox70s já tinham sofrido nas mãos do “não fui eu” antes de me mudar. A tela de uma delas, que ficava debaixo do balcão do escritório, tomava porrada diariamente dos de lá de casa quando encostavam a cadeira. E eu, meticuloso, empurrava devagar sem encostar. Depois que ganhei as Altec, levei essas Vox70s para nossa casa de veraneio, onde incorporei a um set já existente. As caixas anteriores, duas Philco-Hitachi sofreram do mesmo mal de esfarelar nas mãos dos “cupins”.

Não seria surpresa vê-las sofrer do mesmo mal, tendo o midrange e o woofer de uma delas tomar com o bico do chinelo e rasgar os cones de cada uma.

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O woofer:

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A pergunta que não quer calar: porque não retirou para reformar com um profissional?

A resposta para calar: não tem profissional perto, teria de desmontar os 2 pares de altofalantes e ficar sem ouvir meu som por 20 dias. Soma-se que eu não teria previsão de retorno, deixando-os rolando de um lado pro outro na mala do carro, podendo voltar a danificar.

Eu tive de dar essa solução (digo porca) porque não queria ficar com um som capenga e sem previsão de retorno. Esse conserto (ou gambiarra?) me custou 5 dias, pois cada pedaço teve de ser colado, esperar secar, ajustar o outro pedaço, secar, usar uma pinça para pegar as pontas, colar, secar…

Ôooo saco…

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O cone do woofer consegui colar por dentro:

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Quem é purista pode até reclamar que fui mais um dos porcos que existem por aí; não deixa de ser verdade, mas também não queria ficar ouvindo somente o canto dos pássaros.

Essa caixa não tem qualquer pretensão audiófila, muito menos o dono. Pretendo sim reforma-los para anunciar venda, entendendo que elas já cumpriram sua tarefa aqui comigo. Quero que alguém no futuro tenha bom proveito, usando-a como usei, desfrutando como desfrutei.

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