Poliamor

Imagine se você fosse adepto ao Poliamor. Ter, conviver e sustentar algumas companheiras, na santa paz de sua casa e sem ciumeiras.

Manter as suas “esposas” aquecidas, asseadas, livres de qualquer problema, saudáveis, ou seja, o compromisso do provedor máster. Evitar brigas por disputas, promover a harmonia, fazer com que tudo se seja padrão fora do padrão e não cause maiores problemas na sua rotina ou na sua vida.

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Mas aí, você, fodão, pica das galáxias, o bam-bam-bam que sabe tudo de tudo, se depara com um novo problema: se vê enrabichado por uma nova figura, daquelas que aparece na sua vida sem dar satisfação.

E sua veia solidária não permite que alguém vá embora seu sua assistência, não quer que durma longe de um teto seguro, não permite que sinta frio, não suportaria vê-la na calçada sujeita à própria sorte.

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E você a permite entrar em sua casa.

Mas mais uma vez, na tranquilidade do seu lar, você tem novamente o que os anglo-saxões exclamariam: what the fuck come across again! Outra que me aparece, com olhar pidão pedindo arrego, sendo trocada por qualquer coisa. Você não é daqueles em que o cavalo passa encilhado e não monta sobre…não vai permitir que mais uma vá sem seus cuidados.

E a casa enchendo…

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Um belo dia, seu telefone toca e um amigo de longa data quer matar saudades suas. Pessoa simples mas que muito te ensinou, tem um sentimento de gratidão pois você foi um dos únicos que foi solidário nos momentos difíceis e teve compaixão ajudando-o na medida do possível.

Mal sabia o que lhe esperava.

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Marcado o encontro, entre uma soda e uma cerveja, ele confidencia que há alguém que você deveria cuidar, pois somente você saberia como. Abandonada, sem lenço e sem documento, maltrapilha, imunda, cheirando a urina, oriunda mas não nascida no submundo, teria uma sobrevida em suas mãos. E ela chega conforme a descrição e mais um pouco: esperando ter uma vida nova.

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Coração grande, lá vai você sustentar mais uma boca, dar um belo banho, desembaraçar os seus fios, vê como são lindos os seus olhos debaixo de tanta terra que encardia sua face. Apesar de tudo, o seu colega ainda te confidencia no final do último gole da cerveja: antes de você, mas duas dessas foram embora e não saberia dizer ao certo seu paradeiro.

Talvez estejam enterradas, talvez tenham sido esmagadas pelo destino ou salvas pelo bom samaritano que pode morar ao seu lado.

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