Mais de um projeto simultaneamente

Li recentemente que nosso cérebro não realiza mais de uma tarefa simultaneamente. Ela se desliga de uma função, parte para outra e retorna assim que for demandado.

As suas tarefas podem ser administradas por você, mas executadas por outros. É possível ter ao mesmo tempo o seu TAG Heuer Monaco no relojoeiro em revisão, sua Waterman Caréne fazendo uma limpeza nos seus internos e seu Mustang Mach I revisando freios e suspensão. São pessoas especializadas, empresas que tem uma tradição na manutenção, revisão e restauração, além do tempo necessário para realizar suas atividades.

Você não tem tempo para isso tudo, a não ser que seja um restaurador profissional. Seu dia de pegar ônibus, almoçar perto do trabalho, voltar para casa enfrentando congestionamento limitam sua agenda para que eventuais “fugidas” aconteçam sem comprometer o seu emprego principal.

Mais uma vez, você tem de parar uma coisa para fazer outra.

Eventualmente é necessário encaminhar seu projeto para alguém que não está anotado no seu caderninho de profissionais. Nele você demanda tempo para ensinar o que fazer, ensinar onde comprar os componentes, ensinar como deve entregar, mas não precisa ensinar como pagar pelo serviço. Ultimamente tem sido muito difícil encontrar novos profissionais para fazer o que você precisa. Todos querem serviço fácil, entra e sai rápido, paga rápido, entra outro rápido. Rápido é o nome. Barato nem sempre acontece.

Recentemente ouvi que a pintura de um carro antigo, realizado por profissional qualificado, pode sair por mais de R$20.000,00. Pela falta de profissionais dispostos a pegar esse tipo de serviço, quem topa pede o que quer. Lei de oferta e demanda.

Se você não está satisfeito com o preço, faça você mesmo.

Não sabe? Matricule-se em um curso técnico, assista aulas por 12 meses e saia com um diploma. Profissional você ainda não é. Compre todas as ferramentas necessárias, arrume um lugar adequado e que você possa chamar de seu. Nada de pedir emprestado!

Se o projeto está em andamento e você mal consegue terminar, porque começar outro? Por que a oportunidade de comprar aquele receiver vintage, um Opala 250s ou outra caneta tinteiro e manter na sua coleção, pensando na disponibilidade do profissional para o futuro, compensam o tempo no estaleiro.

Eu, pessoalmente falando, sou “bicho-carpinteiro” mesmo, penso em vários projetos simultaneamente e fico estressado quando não há progresso. Mas entendo que se não houve progresso, há um bom motivo para isso.

 

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