Foto ensaio (Photoessay)

Tenho lido muito nesses últimos dias, diversas fontes tem me apresentado novas idéias e minha cabeça tem andado muito longe.

Naqueles momentos em que você não tem planejado o que fazer, o nível de ansiedade aumenta e o sentimento de que você poderia estar fazendo algo de útil vem à tona. Vários projetos são cogitados porque várias coisas te agradam. Nesses momentos a sensação de perda de tempo é muito grande e a vontade de mudar tudo radicalmente pode vir sem controle.

Livros e revistas são uma excelente fonte de inspiração para essas tais projetos. A internet, com todas as suas bobagens, também o é. Sua vantagem é a praticidade e o meio organizado o qual se apresenta. As criticas são um tanto “escondidas”, pois nele é possível filtrar eventuais ofensores e bestas dos mais diversos gêneros. Mas como qualquer site é um meio aberto, prefiro traçar uma linha de raciocínio e criticidade próprias.

Sempre quis utilizar a câmera para registrar temas pré-definidos que são do meu agrado. Paisagens urbanas e rurais, carros e motos antigas e arquitetura me agradam e me fazem idealizar como fotografar de modo próprio, com minhas características impressas na imagem. Não querer ser igual aos outros sempre fez parte da minha vida; mas como ser diferente sem antes ser igual? A tal criticidade é apurada com o aprendizado forçado ou natural e, mesmo querendo fazer algo novo, tenho de perder alguns filmes com “muito da mesma coisa”. Observar e discutir são as ferramentas imprescindíveis para a minha evolução. Mesmo o erro me faz aprender. Obvio…

Não tenho contato com galeristas, com artistas (exceto músicos) e expositores que concentrem as idéias e a materialização delas nos meios que se propõem trabalhar. Preciso participar mais desses eventos, um tanto dispersos e também elitistas, mas nada que um ENGOV ou Omeprazol não me ajudem. Entender o Pierre Verger, Helmut Newton e Annie Leibovitz não ser resume a “olhar” a obra; requer também que alguém me ajude a “entender” o que ele quis dizer. Os críticos dos iniciantes sempre dizem que o público deve sempre assimilar o conteúdo sem a colocação de uma legenda. Talvez isso se deva a uma falta de fio condutor nítido e consistente que te indiquem o início e o fim da historia/estória.

O Foto ensaio entra nesse contexto. É a tentativa de discorrer uma linha de pensamento ou opinião sobre um tema específico. Se é sobre a degradação do casarios do centro, vá à região portuária; se é para mostrar a pujança americana da década de 50, vá a uma exposição de carros antigos ou a um show aéreo. Mas quantos temas já não foram exaustivamente tratados, como a favela, pobreza do sertão, futebol de várzea, vida no campo, degradação social, farra de músicos após um show… Vamos sair do lugar comum! Se é para levar a mensagem e a reflexão, que tentemos um olhar novo, que coloquemos nossos “vícios” de linguagem e nossas impressões particulares, que leve o tempo que quiser, que seja subjetivo ou na primeira pessoa do singular.

Características mínimas impostas por mim em um ensaio:

  • Ser de filme, a ser escolhido no momento do ensaio;
  • Levar o tempo que for necessário;
  • Câmera com poucos recursos, misturando formatos;
  • Estudar ao máximo a luz do lugar, adaptando com as limitações do equipamento;
  • Imprimir em um estúdio com qualidade.

Quando vou começar? Não sei.

Quanto tempo levarei? Não sei.

Qual tema farei? Não sei.

O vento me guiará.

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