Bike project, penúltima parte

O tempo faz com que você reflita melhor sobre suas escolhas e abre a mente para que novas idéias apareçam. Acontece com qualquer um, a qualquer hora.

Estive pensando muito sobre o projeto da bicicleta que já falei antes em posts intitulados “bike project”. Inúmeras variáveis e um gosto ainda por se formar não me permitiam formar uma “fotografia” final da bicicleta que queria fazer. O estilo retrô ficou para depois, pois já havia constatado que o quadro da mountain bike que tinha escolhido não serviria para aplicar minhas vontades e conceitos pré-concebidos em minha cabeça limitada e um tanto teimosa.

Mas se há algo que sei fazer é mostrar o meu erros.

Sim, eu peido e aviso a todos no recinto.

Como gostaria de fazer uma bike retrô, muitas características do quadro teriam de se alterados para que tivesse uma “cara” de antiga. Qualquer coisa diferente disso seria um simulacro. Falso como uma nota de R$ 3,00.

E o projeto ficou adiado. A data de realização deveria coincidir quando tivesse tempo disponível, calma disponível e idéias suficientemente coerentes para o projeto.

O momento chegou.

Sábado passado (19/10/2013) decidi acordar cedo e pegá-la logo para dar continuidade ao projeto e vazão a minha ansiedade. Bicicleta em petição de miséria, nenhum ajuste poderia ser feito, andei aproximadamente 4 km para chegar ao cicle. Confesso que nunca havia suado tanto e em tão pouco tempo. Guidão baixo demais, banco estreito demais, pedal pequeno demais, irritação grande demais. Nunca sofri tanto para percorrer tão pouca quilometragem.

Na Peugeot velha de guerra não cai uma gota de suor.

Cheguei onde havia escolhido para da vida a bicicleta e logo falei pro rapaz que me atendia:

“Amigo, preciso da sua ajuda. Essa bicicleta é uma merda e não quero jogar numa caçamba de lixo. Espero que você consiga salvá-la!”

Acompanhado de uma gargalhada do atendente, a listagem foi sendo discorrida:

  • Banco
  • Guidão e canote
  • Cambio
  • Desempeno de rodas…

E ele respondia:

“Não tenho peça”

“Não vai funcionar”

“Não dá”

e etc…

Não era culpa dele. A loja é especializada em equipos de competição, padrão AA pra cima. Mas a honestidade dele fez com que indicasse um outro cicle, já velho conhecido mas havia desprezado de minha lista.

Por que fiz isso? Achei que não teriam as peças que desejava.

Rumei ao outro cicle, esbaforido e suando como um porco. Lá percebi que haviam reformulado e a seção de peças havia melhorado muito desde a última vez que fui lá (seriam 7 anos?). Entrei na loja e fiz o mesmo discurso:

“Amigo, preciso da sua ajuda. Essa bicicleta é uma merda e não quero jogar numa caçamba de lixo. Espero que você consiga salvá-la!”

E ele disse que tinha as peças que procurava. No decorrer da negociação (sim, foi duro) estávamos numa disputa de convencimento. Ele dizia uma coisa e eu recusei (eu 1 x 0 vendedor); na outra ele me convenceu (eu 1 x 0 vendedor). E assim foi por 30 minutos.

É claro que alguns momentos fui envolvido pelo poder de convencimento. Mas vejam bem: eu deixei porque concordei. O argumento era razoável e vi que no fim teria o resultado que queria. Numa delas ele argumentou de forma bem clara:

“A sua roda traseira está com raio quebrado, empenada e cubo gasto. Se for consertar, o preço sai por R$45,00. Se trocar por uma roda Aero nova, sai por R$65,00”

Os argumentos foram:

  • Roda moderna, esteticamente e ciclisticamente falando;
  • Anodizada preta, me livrando de ficar polindo;
  • Cubo de rolamento;
  • Raios reforçados.

Antes de terminar, já tendo escolhido canote, guidão, punho, banco, cambio e rodas, deixei claro para ele: quero tudo preto.

Pois bem…ele pegou a calculadora e começou a conta:

“10,00 + 49,00 + 18,00 + 50,00 + …”. Final das contas: R$ 412,00.

E você se pergunta: “Tá de sacanagem que aceitou o orçamento?”. Sim, porque as peças são exatamente as escolhidas conforme conforto e gosto pessoal. Poderia ter comprado uma Caloi na loja por 30% mais em conta, mas os mesmo defeitos se repetiriam. Aí sim, seria dinheiro jogado fora.

A última pergunta: porque estou falando de uma bicicleta comum num blog de coisas vintage?

A última resposta: porque iniciei o projeto como uma bike retrô e me arrependi. Quero mostrar o resultado final, por respeito àqueles que leem o blog. Só isso.

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