Fotografia, parte 2

Ok…você já deve ter percebido que a “bola da vez” é a fotografia. Que eu só escrevo sobre isso agora. Que eu me esqueci dos amplificadores, das canetas e dos carros antigos. Engano seu.

A fotografia é um hobby que alimento faz muito tempo, antes do digital e da internet. Sempre gostei de tirar fotografias, sempre primei por tirar fotos boas e em situações realmente merecedoras. Quando iniciei o blog, senti a necessidade de fotografar os aparelhos, as canetas e os relógios que tinha, os eventos de carros e motos que participava. O resultado, na minha humilde opinião era sofrível.

O blog tem um perfil mais profundo que o facebook, mais raso que uma revista. Não tenho a intenção de me tornar profissional como vários blogueiros se tornaram, pois escrever é parte de um estilo de vida adquirido. Mas mesmo sendo amador, gosto de fazer as coisas com algum capricho ou esmero. A fotografia faz parte disso.

Não sou um adepto com conceitos inabaláveis em torno do analógico. Gosto da mistura e, principalmente, tirar todo potencial dele. Da foto, do long play, do VHS. Cada amplificador e receiver tem uma peculiaridade, uma assinatura sônica, um “jeito todo pessoal” de tocar aquilo que pus para ouvir. Alguns mais graves, outros mais definidos, outros com soundstage fundo. E que barato descobrir tudo isso. Cada arranhão no painel do aparelho indica uma ruga na sua face. A minha necessidade de mostrar essas rugas é imperativa. Não há nada mais bonito do que mostrar a maturidade e vigor, a beleza e o envelhecimento saudável e as marcas indeléveis.

E como poderia fazer com uma câmera de celular ou uma câmera digital básica, registrar todos os detalhes. No way Beavis, como diria o Butt-head. Portanto, a digital DSLR traz uma série de vantagens para o que eu quero: imediatismo, recursos e possibilidade de escolher a melhor foto. Por outro lado, não quero abandonar a analógica que usei por tanto tempo. A surpresa de revelar o filme e ver o resultado final é uma das motivações de ainda usar uma Olimpus Supertrip. A revelação custa o mesmo de uma foto digital. Há no uso do filme uma expectativa de utilizar o tipo adequado ao lugar, combinando com o nível de luz e as características da máquina.

Recentemente tive a experiência de usar o filme 120. Não posso dizer que fiquei apaixonado pelo médio formato, pois a câmera usada (Diana F+) impõe algumas características ao filme e, por consequência à foto, que desfazem suas referências comparativas do 135. O ideal seria que eu usasse o 120 em uma TLR (como a Lubitel ou Rolleiflex) e o padrão na Diana com o back para uso da 35mm. Um dia farei isso…

Desisti de ter fotos com defeitos inseridos? Não. Desisti de ter fotos perfeitas? Não também. Só estou colocando as coisas nos devidos lugares. Fotografia de DSLR será para detalhes, festas e situações especiais. Câmera analógica usarei para paisagens ou fotos memoráveis (o que é memorável? Só na hora saberei). Celular fica para as coisas triviais, de trabalho e ao ar livre.

Ficariam de fora uma Diana, Lubitel, Belair ou outra para filme 120? Não também. Existirão aqueles momentos que caem bem um foto “mais artística”, com (d)efeitos e que podem ser tirados no “susto” (seria o snapshot). O filme seria carregado, a câmera deveria ser levada a todos os lugares e a atenção redobrada para capturar o tal momento especial. Com parentes, conhecidos ou desconhecidos, se vale à pena, deve ser eternizado sim!

Sempre que nos sentimos seguros, a tendência é de que avancemos um pouco mais e nos tornemos mais audaciosos. Essa audácia varia com a capacidade de cada um se sentir seguro e a necessidade de avançar por motivos pessoais e profissionais. Meu passo agora é de experimentar o filme preto e branco (P&B ou B&W), como puro lazer.

No período em que trabalhei com laboratórios metalúrgicos, um dos processos para verificação de qualidade de processos de soldagem e análise de falhas é o uso da fotografia. Esse meio é a evidência para embasamento do laudo, já que é assinado por um profissional legalmente habilitado. A micrografia era tirada com um microscópio e câmera Olimpus, kit de alta qualidade e amplamente conhecido pelos equipamentos. No caso da macrografia, modalidade que verifica as características metalúrgicas do material, usávamos 2 câmeras SLR distintas: Zenit e Pratika. Como lentes de flange baioneta, ambas eram simples mas adequadas ao propósito. Naquela época era necessário ainda a revelação em laboratório próprio, pois não era acessível a revelação em 1 hora dos grandes centros.

Ali aprendi a revelar filme P&B, ampliar e usar a esmaltadeira. Pulling e pushing eram frequentes por causa da fraca habilidade que tínhamos na macrofotografia. O tripé e a iluminação eram improvisadas ante a escassez de acessórios adequados à nossa atividade. Os resultados eram satisfatórios, mas sabíamos que poderia ser melhor, mais nítido, etc, etc, etc.

Eis que resurge, acessível e em mercado de rua, o Filme P&B. suas características são muito particulares e, mais que o filme 120, os momentos tem de ser especiais. Não vale tirar foto de aniversário, de ações rotineiras e triviais; um céu cinzento, um dia de chuva, um momento lúdico caem bem com esse filme.

Pois então, mãos à máquina!

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s