Lembranças de infância, mas não a última.

Não posso dizer que esse post será o último que escreverei sobre infância, porque memórias são afloradas através de gatilhos. E que gatilhos…

Durante muito tempo nossos natais em família foram reuniões na casa de minha tia, mais precisamente em Petrópolis. Nossa chegada se dava no dia 24 quase sempre a noite, devido ao tamanho do grupo. A casa comportava confortavelmente todos que quisessem chegar e ceiar. Normalmente tínhamos 15 pessoas dormindo lá, além daqueles que possuíam sua própria residência na cidade, como um primo Renato.

Eu, como toda criança, tinha uma ansiedade de encontrar minha família e participar da farra que se constituía lá. O outro motivo era ganhar os presentes.

Só que como todo menino que cresce com a figura paterna próxima, tende a gostar de carro (já disse isso alguma vez?). E esses dias eram os que eu utilizava para atualizar meus conhecimentos (que carros meus primos estavam), brincar dentro deles e um dia pensar em dirigir.

266748_401137469973977_1701449721_o

Pensando um dia desses, me peguei com a seguinte ideia: eu nunca deixei de brincar dentro do carro. Mesmo tendo os meus hoje, sento ao volante e fico olhando os seus detalhes, como uma criança faz.

704458_401137793307278_594549331_o

Eu tenho uma memória privilegiada, digo; principalmente se tiver cheiro associado. O emanado por tinta, carpete e madeira me remetem ao período de reformas, em casa ou de carro.

Renovação, reforma –  a velha novidade.

Quando a memória não extrai o seu conteúdo com detalhes, as fotos o fazem. Meu primo Ronaldo sempre foi apreciador de fotografia e câmeras. Eles não era o fotografo oficial, mas foi o que mais tirou durante essa fase. E um dia desses meu sobrinho resgatou algumas delas e digitalizou. Ao vê-los me ocorreu o extraordinário: me colocar exatamente na posição do fotógrafo, até porque eu acompanhava meu primo nisso (quando não era fotografado por ele). Minhas memórias afloraram como se estivesse sofrendo uma regressão. Cheiros, sensações, ruídos, tudo veio à tona. E a história daquele dia do Karmann-Guia TC também.

555167_401137216640669_2073519627_n

Esse carro foi comprado pelo meu pai por um colega de trabalho chamado Fernando. O carro tinha aproximadamente 10 anos de uso, mas com vários pontos corroídos. Quando foi oportuno, levamos o carro para realizar a lanternagem (funilaria, no RJ) na oficina do Euro e do Ribeiro (na pça Leoni Ramos, onde hoje se situa a sede da Ampla). Lembro de comprar inúmeras peças originais em concessionária e algumas no paralelo. Em um momento, meu pai decidiu mudar sua cor de vermelho para preto. E ficou, ficou, ficou…mais de 1 ano na oficina.

No dia 24 de dezembro (acho que 1983), às 17h meu pai chega com o carro. Esse era o único da casa e deveria ser carregado de malas e bugigangas para a comemoração de natal. Eu, meu pai e meu irmão partimos em direção à Petrópolis numa chuva torrencial. As borrachas de vedação não faziam o seu trabalho, encharcando o seu interior. Para somar, o carro pesado fazia com que os pneus traseiros roçassem a caixa de roda, fazendo aquele barulho característico.

O dia seguinte foi para limpar o que foi sujo, ajeitar o que tinha ficado para trás, consertar o que quebrou no caminho. Como na foto.

E isso é a lembrança de uma criança de 9 anos de idade.

Anúncios

2 opiniões sobre “Lembranças de infância, mas não a última.

  1. Pingback: Projeto de som para um carro antigo | V8andvintage's Blog

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s