Palmas para os invejosos, parte 2.

Qual o limite do se humano para maldades?

Qual o limite do ser humano para colocar em prática seus preconceitos, manias, desejos obscuros ou qualquer outra forma de segregação?

Quando você não faz parte de um grupo, tribo, patota ou outra qualquer denominação para grupo, e ainda assim busca a integração, está sujeito as mais diversas demonstrações de afeto ou desprezo. Qualquer ponto “fora da curva” é o suficiente para estar também fora do grupo.

Percebi isso em alguns eventos de carros e motos. Falo deles distintamente e com propriedade.

O grupo de amantes de 4 rodas possuem as mais variadas faixas etárias, condições sociais, condições financeiras e categorizações diferentes. Grupo de carros antigos costumam a torcer o nariz para carros mais novos. Não digo caravan, chevete ou fusca, mas sim gol, corsa, uno e derivados. Em seu conceito, eles formam um grupo específico de carros mais novo, não menos baratos nem interessantes. Mas a forma de expor isso aos donos dessas viaturas, o cuidado para não parecer preconceituoso é extremo. Carros clássicos, restaurados com esmero e muito dinheiro tendem a não aparecer em eventos mais populares. Deve-se ao fato de que grupo de proprietários e amantes desses tipos são mais cuidados e reservados, evitando colocá-los em praça aberta sem isolamento. O receio de marcas de mão no vidro e pequenos arranhões ocasionados por um público não acostumado e respeitador é fato.

Ford não é melhor que GM, Dodge não é melhor que Toyota. 6 cilindros não são melhores que 8, somente diferentes. Alguns defendem a “implicância saudável” que, em alguém com o humor virado, torna-se uma briga por nada.

Para os amantes das 2 rodas, pouco importa se você possui uma moto 125cc ou 1000, chopper ou custom. O prazer é estar junto, conversar, curtir o momento, ouvir um rock bem tocado num bar típico. Quem quiser pegar uma cerveja e iniciar o papo, está automaticamente convidado. Mas lembrando: isso é uma realidade brasileira. Nos EUA, HD não se misturam com os proprietários de japonesas…

No âmbito dos equipamentos de áudio, é ainda mais complexa e velada a discriminação. Donos de amps valvulados falam que o transistor não vale nada; vintage é mais resistente que os modernos; o som do vinil é mais “fiel” que cd, e por ai vai. Cada um tem seu lugar, cada um tem seus defeitos, cada um tem suas virtudes. O que não pode é a radicalização.

Hoje em dia, uma coisa que me estarrece é de como temos especialistas em vinho. A soberba acometida a neo-enologos me surpreende, principalmente quando o preço de sua garrafa é declarada. Deveria se importar é com o prazer. Rótulo é secundário.

Todas essas atitudes de sobrepujar, distorcer, enaltecer o menor derivam da necessidade de comparação em uma sociedade capitalista deturpada. Tornar-se um monge budista não evitará a inveja. A propriedade não necessariamente é o motivo principal desses sentimentos.

Por que você não quer o meu bem? Porque você não é feliz?

Por que você não quer que eu evolua? Para você ser o líder?

Por que você me diminui? Porque você não é grande o suficiente?

Porque você complica o assunto na hora de conversar? Para mostrar erudição?

Por que você não me chama para fazer parte do seu grupo? Não tenho valor?

Se eu te chamar pro meu grupo, você aceita?

Se eu disser que não sei, você me ensina?

Se eu te ensinar algo, você assimila com boa vontade?

Se o que eu falar não for o melhor, você me corrige para melhorar?

Se eu for sincero, você acredita em mim?

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2 opiniões sobre “Palmas para os invejosos, parte 2.

  1. Olá Grecchi. Tudo bem?
    O que houve para tanto azedume? 🙂

    Seja o que for eu entendo. FrequentaVA reuniões de carros antigos desde 1984 e lhe digo – carro antigo era muito legal quando era algo ANTI-STATUS, coisa de maluco. Mesmo que o maluco fosse um ricaço com carros maravilhosos.
    Todo mundo conversava e trocava idéias de forma gentil e simpatica. O bate papo era o melhor dos encontros. Todo mundo tinha uma cultura preservacionista que ia muito além do automóvel.

    Agora carro antigo virou hobby de novo rico, classe média-alta. Antigamente a gente se gabava de achar uma raridade baratinha abandonada numa garagem. Agora nego se gaba do Camaro 74 dele ter custado mais que o Honda da mulher. Desprezam um carro todo original que nunca foi restaurado porque não está “impecável” enquanto no meio de antiguidades uma relíquia restaurada vale menos que uma original. 😛

    Em suma, UM SACO! Um festival de futilidades e fogueiras de vaidades. O que era o melhor antes – o bate papo – virou o mais chato.
    Claro que há gente bacana mas tem de garimpar um pouco e torcer para o povo não cair nas fogueiras de vaidades.

    O problema maior a meu ver é quando o status fala mais alto que a paixão. Isso aconteceu com antigomobilismo e com som também. Pode ver que a fogueira das vaidades no som inflamou forte depois que criaram o tal do HIGH-END – um troço criado claramente para status e diferenciação.

    O negócio é não ligar e curtir seus carros e equipamentos. E sempre existem pessoas que pensam igual e usam dos hobbys como um meio para o contato fraternal e amigo. Use o status como filtro. 😉

    Um abraço.
    M_R_V

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