Manutenção preventiva

Definição de manutenção preventiva: “Vem do fato de se prevenir para que o mesmo não ocorra, ou seja, tomar uma ação implementada para eliminar as causas de uma possível não-conformidade.”

Definição conforme a norma ISO 9001: “A organização deve definir ações para eliminar as causas de não-conformidades potenciais, de forma a evitar sua ocorrência. As ações preventivas devem ser apropriadas aos defeitos dos problemas potenciais. As ações preventivas devem ser empreendidas a partir de um dos seguintes eventos:

 

• Planejamento dos processos, nos quais seja possível identificar os modos de falhas potenciais;

• Ações preventivas observadas a partir da realização dos processos;

• Análise de registro de não- conformidade ocorrida no processo e que evidencie o risco de ocorrerem em outras áreas abrangidas pelo Sistema de Gestão da Qualidade;

• Reclamações ou sugestões dos clientes formalmente encaminhadas por qualquer meio e que demonstrem a necessidade da condução de análises específicas;

• Conclusões da análise das pesquisas de satisfação dos clientes.”

 

Ou seja, quando falamos em manutenção preventiva, preocupamos com a parada fora da programação, que gera custos e ações fora do esperado.

Podemos transpor esses significados para carros antigos, relógios, canetas e aparelhos de som? Claro que podemos e veremos a seguir como é possível.

 

1 – Carros antigos:

 

A manutenção preventiva dos carros antigos e novos se dá da mesma forma: obedecendo os prazos estipulados pelo manual do proprietário. Ok, você tem um carro que o manual sumiu, escafedeu-se e não sabe como fazer…sinto muito, pois terá de usar o conhecimento adquirido por você e/ou pelo seu mecânico.

A frequência dos defeitos e desgastes ocorridos e observados nos carros gerou uma lista de itens a serem revistos periodicamente. Em condições normais de temperatura e pressão, os mesmo itens assinalados nessa planilha devem ser substituídos por novos, reapertados, realinhados e outros “re-alguma coisa” que eventualmente apareçam. A obediência aos prazos se dá não considerando condições de uso extremas como transito lento, sobreaquecimento, estradas de terra, competição ou mal uso. Por isso, nas paginas anteriores à lista de verificação existem as condições que saem da curva normal de manutenção.

Você com toda a experiência do mundo poderia argumentar que esses prazos estão fora de sua realidade. Então assuma você sozinho o risco de ter um componente substituído antes do prazo previsto pelo fabricante e não peça reembolso nem entre na justiça. Ganho certo da fábrica.

Exemplo acontecido comigo:

Na revisão de 10000km do meu carro, me foi oferecido o alinhamento de direção com balanceamento de rodas. No momento da oferta lembrei que meu último carro apresentou desgaste excessivo nos pneus dianteiros devido ao não alinhamento no prazo regulamentar ter sido realizado. Com 22000km os pneus já não passariam na vistoria anual do Detran-RJ. Com esse fato vívido em minha memória e a garantia de 3 anos do veículo, raciocinei da seguinte forma: se o pneu apresentar desgaste excessivo ou irregular, nunca poderei ser acusado de (1) não ter obedecido os prazos estipulados e (2) feito o serviço em um lugar inadequado e fora das especificações. Usei o meu direito de consumidor de exigir um serviço condizente.

Um outro fato interessante é o conflito entre prazos estipulados entre os fabricantes de óleo e a montadora. No manual de proprietário está escrito (no seu fusca, corcel, dodge…) que o óleo deve ser trocado a cada 5000km, com um óleo especificação API-SE ou superior. Se você for pesquisar no mercado, óleos com a especificação acima não são produzidos fazem 10 anos. Ao adentrar numa auto-peças, você encontrará óleos com especificação API-SJ , SL e SM. Escolhe sempre o de letra maior, ou seja, SM. Isso significa que as características do óleo, incrementadas com novos aditivos e processos superou as especificações do anterior (SL, por exemplo). Vá em frente, pois você estará utilizando um óleo com valores 10 a 20x melhor que aquele especificado no manual e não atualizado.

 

2 – Relógio:

 

É muito comum acharmos que um relógio de fabricação suíça ou japonesa não requerem manutenção. Ledo engano.

Os relógios a quartzo possuem poucos componentes mecânicos em seu interior, restando a bateria para ser substituída. Mas é possível detectar quando a bateria acabará? Com certeza não. As características desse tipo de material são diferentes daquela pilha utilizada em nosso dia a dia, como as alcalinas e as recarregáveis. Esses duas apresentam sinais de fadiga, como baixa corrente do circuito, por exemplo.

Mas nos relógios à corda e nos automáticos, a história é diferente. Inúmeros elementos mecânicos apresentam desgaste e falhas na lubrificação. O óleo adotado é de baixíssima viscosidade, pois os componentes não podem ter seu movimento dificultado com um óleo que, de tão espesso, pesa no movimento. Substituição de guarnições de cortiça e borracha também são indispensáveis, pois sem o perfeito funcionamento permitirão a entrada de poeira e água, ambos nocivos.

 

3 – Canetas:

 

Nesse nosso caso aqui é óbvio que falamos das canetas-tinteiro. As esferográficas simplesmente acabam a carga; você vai numa loja e substitui. Canetas rollerball, a mesma coisa.

Nas tinteiros, o sistema de carregamento pode apresentar falhas que só são percebidas quando a sujeira tomou conta de seu caderno. Plunge-filler, lever-filler, vacuum-filler são somente nomenclaturas do sistema de carragamento, que precisam do mesmo tipo de manutenção.

A limpeza do sistema com água limpa, uso de tinta de qualidade e a boa conservação da caneta garantem vida longa a mais bela ferramenta de escrita.

 

4 – Aparelhos de som:

 

Se você possui aquele receiver Marantz que tanto orgulha dizer que nunca foi a manutenção, talvez você seja um sortudo ou surdo. Os aparelhos de som requerem tanta manutenção como qualquer outro aparelho eletro-eletrônico.

Alguns problemas que aparecem nesse tipo de aparelho você acaba se acostumando. Os capacitores, eletrolíticos ou não, envelhecem com o tempo sendo usados ou não. Os valores saem da especificação, comprometendo a qualidade sonora (principalmente nas frequências mais altas), como a estabilidade de todo o sistema, pois deixou de funcionar como um filtro permitindo passar de tudo. Resistores apresentam o mesmo problema, sendo a consequencia de sua falha mais catrastófica: as tensões aumentam (se a resistência diminuir) ou para o funcionamento (se a resistência abrir). Tensões de saída DC e off-set são garantidas pelos componentes novos e pelos trimpots que, quando oxidados, saem das especificações e queimam seus altofalantes.

Ao longo do tempo você percebe que suas caixas acústicas não falam mais como antigamente. Som rouco, sem brilho e funcionamento intermitente tiram sua paciência e o prazer de ouvir musica. O maior responsável por isso é o divisor de frequências.

Se sua caixa possui 3 vias (graves, médios e agudos), seu divisor interno tem também 3 saídas (para o woofer, midrange e tweeter). Nos divisores mais novos, o sistema é todo montado em uma placa de circuito impresso, que garante mais confiabilidade e qualidade no resultado final. Se o seu divisor de frequência é do tipo Butterworth de 18dB/oitava, isso significa que:

a)    Para o woofer existe um indutor (bobina) que funciona como um filtro “passa baixa”, removendo médias e altas frequências;

b)    Para o midrange, um conjunto de indutor + capacitor atuando como um “filter”, removendo graves e agudos;

c)    Para o tweeter temos ligado em série um capacitor, com valor adequado ao corte de frequência desejado;

d)    Soma-se a todos eles resistores para que a impedância da caixa seja equalizada e adequada aos mais comuns dos amplificadores; sem falar de cabos quebradiços e potenciômetros oxidados.

Resumo: se no divisor os capacitores estiverem fora da especificação, o mesmo permitirá frequências graves que detonarão os tweeteres da caixa. Portanto, se você tiver um técnico de confiança, pode levar o seus aparelho até ele para testar e substituir os componentes que estejam à beira de colapso.

 

Perceba que nada está isento de manutenção, independente da marca, preço e qualidade dos componentes. Cabe a você usar com moderação.

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2 opiniões sobre “Manutenção preventiva

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