Sobre a teoria da manutenção

Quando ministrava aula de Tecnologia Industrial I, um dos capítulos era relativo a manutenção. Explicava a teoria da manutenção, em quais segmentos estava dividido, as consequências, os problemas devido a uma manutenção deficiente, etc, etc, etc.

Como de costume, tentava usar exemplos do dia a dia para que cada um dos meus alunos pudesse compreender, não só para responder as perguntas da prova, quanto tentar levar isso para a sua rotina. A aula é bastante teórica, com muita explicação e, sua aplicação depende de cada um. Se achar tudo aquilo uma grande baboseira, a vida mostrará que perdeu muito dinheiro por puro preconceito e preguiça.

A teoria divide a manutenção em 3 segmentos básicos: preventiva, preditiva e corretiva. Você poderá ler vários blogs, livros e conversar com os mais variados especialistas afirmando que existem 4, 10 25 tipos de manutenção. O que eles querem mesmo é um lugar no rol das celebridades, pois todos eles inventaram o mais do mesmo. A teoria recai nos 3 segmentos descritos acima.

A recorrência de problemas em equipamentos devido a falta de manutenção é enorme. O problema em si não foi a falta de manutenção, mas sim que ela chegou somente para corrigir. Ou seja, a manutenção foi corretiva.

Vou dar um exemplo (fictício, mas possível):

“Dagmar trabalha com instalador de antenas e de circuito interno de TV (CFTV) autônomo. Ele distribui seu cartão em várias lojas de eletrônica para tentar pegar um ou outro cliente. Como não pode recusar trabalho, se aventura a sair de Itaboraí-RJ, enfrentar transito e instalar gato-net em Santa Cruz-RJ (80km de distancia).

Um belo dia ele ganha um serviço no Rio de Janeiro e decide pegar a Rodovia Niterói-Manilha e a Ponte Rio-Niterói, plena 2ª. feira às 7:00. Carro entulhado de equipamento, escada no rack, 3 ajudantes, pega a estrada rumo ao novo trampo.

Quando chega no vão central, depois de 1h de trânsito lento, ele percebe que o carro perde potência e para, num dos horários mais movimentados da ponte. Tenta ligar a luz alerta, mas não funciona. Triangulo, só se for o do forró, porque o de sinalização perdeu-se num rombo do fundo do porta-malas.

Quando o reboque gratuito chega, o socorrista (que também é mecânico) afirma: seu motor fundiu. Como assim? Fundiu? Isso mesmo. Fundiu. Dagmar leva as mão à cabeça porque tinha acabado de comprar do compadre dele o Monza 88, pagando em 200 prestações e alguns bicos.”

A surpresa dele faz sentido porque ele sequer olhou a água do reservatório, sequer leu o ponteiro da temperatura, sequer viu que tinha um vazamento na bomba d’agua. Ações simples poderiam ter sido resolvidas no tempo correto, com menos prejuízo no bolso. Resultado: 1 bomba d’agua, 1 retifica completa de motor e 15 dias parado na oficina perdendo clientes. Bonito isso, né? Já não tinha dinheiro sequer para comer, agora tem de pagar essa fortuna.

Nos carros antigos é a mesma coisa. Você não pode deixar para depois, pois os problemas tendem a aumentar, comprometer os componentes periféricos e a remediação torna-se impagável. Uma bucha de suspensão traz riscos não somente na dirigibilidade, como na durabilidade dos pneus. Isso se agrava quando os pneus possuem medidas especiais… Rangidos mostram que existem componentes trabalhando em sentidos diferentes e que podem estar sem lubrificação. Luzes-espia são o maior aliado do motorista: lâmpada do alternador que não apaga, seta que não avisa o funcionamento, luz do óleo que não liga, indicam que há algo de errado e que pode piorar.

E no som, existe manutenção? Claro! Desoxidar os trimpots garantem tensões adequadas no amplificador e pré, evitando a queima dos componentes. Por tabela, os potenciômetros e seletores limpos evitam estalos de estática, que comprometem a vida dos alto-falantes. Testar os capacitores garantem uma cristalinidade no som que o costume não nos deixa perceber a diferença ao longo do tempo. Outra indicação é um aparelho que passou a aquecer depois de uma certa idade. Os transistores de saída podem estar trabalhando com uma tensão maior que a projetada, comprometendo o funcionamento em geral.

Relógio. Você que acha que sendo Suíço é inquebrável? De jeito nenhum. Relógios de movimento à corda ou automáticos requerem manutenção por diversos motivos.  Mola, desgaste natural, vedações, tudo isso se degrada e compromete a vida útil da peça, independente da qualidade e/ou marca. Quando mais você realiza manutenção nele, fica mantida a precisão e garantida vida longa. Alguns Omega Seamaster possuem vedação de cortiça, que precisa ser hidratada periódicamente ou substituida após um período pré-determinado. Tenho um amigo que perdeu um exemplar desses após mergulhar no mar, oxidado completamente sua máquina.

Canetas também são passíveis  de manutenção, principalmente devido ao entupimento dos capilares com tinta resecada. Uma boa limpeza, com uma técnica razoável, é possível ter uma caneta de marca funcionando ininterruptamente por 60 anos. Aliás, eu descrevi o procedimento no post https://v8andvintage.wordpress.com/2012/02/06/sheaffer-triumph-circa-1948/ .

No próximo post falarei sobre manutenção preditiva.

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2 opiniões sobre “Sobre a teoria da manutenção

  1. Pergunta: É caro manter um Fusion ? Tenho vontade de ter um. Comprar não é exatamente o maior dos problemas. Mas fico pensando se a manutenção, valor de impostos, seguro, consumo de combustível e outros gastos ou perda do valor de revenda, seria muito maior que aqueles que tenho com um sedãn médio (sentra).

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