Lembranças da minha infância – parte 2

Não existe criança que não guarde alguns momentos da sua vida, sendo para elas mágico. O papai Noel que some, muitos já esqueceram; a primeira bicicleta e o primeiro tombo sem rodinhas, alguns lembram; o primeiro beijo todos lembram (apesar de alguns quererem esquecer…).

Quando criança era fascinado por carros, sem critério nem metodologia na escolha. Era simplesmente gostar e acabou. Algumas vezes, os carros que ficaram na memória eram de parentes ou dos meus pais. Outros pertenciam a vizinhos ou amigos. E nesse rol entram alguns que vou relatar.

Aviso: as fotos coletadas na internet são meramente ilustrativas e tentam mostrar o modelo citado. A ordem de descrição não confere com a cronologia.

Caravan Standard 77

Essa caravan foi de meu pai por 4 anos e lembro bem da placa: NZ 7563. Cor vinho, motor 151 (4 cilindros) e cambio de 3 marchas, bagageiro e rodas da Italmagnésio. Esse fez parte de minha lembrança, pois foi a primeira vez que entrei numa oficina de lanternagem para acompanhar uma reforma. Essa foi realizada na oficina do Euro e seu sócio, Ribeiro, num terreno que hoje se encontra a sede da Ampla (companhia distribuidora de luz do RJ). Lá comecei a sentir o cheiro do oxicorte e da tinta, as marteladas e outros sentidos mais aguçados nessa fase da vida.

Nesse carro comecei a ter o gosto pelo ronco dos motores. Na época meu pai havia instalado um escapamento esportivo kadron, com saída pela lateral (só a Caravan era pela lateral; os Opalas são na traseira). Eu gostava de sentar no banco traseiro, lado esquerdo e abrir o vidro basculante somente para ouvir o ronco do motor 4 cilindros nas reduzidas.

Nesse carro fizemos muitas viagens a Cabo Frio, compras no Carrefour, visitas aos meus avós. Seu substituto foi um Passat Surf 81, modelo à álcool, problemático na partida a frio e marcha lenta. 

Karmann Guia TC 73

 

Esse talvez tenha sido o mais marcante carro de todos.

O carro foi adquirido por meu pai de um amigo de trabalho chamado Fernando. Ele precisava de uma reforma completa, fato que já não era fácil para esse carro na época. Fomos a vários lugares para comprar peças de lataria, como na ex-concessionária VW Anasa (para-lamas, berço e caixas de ar) e na Veusa (peças de acabamento). A reforma foi realizada na mesma oficina do Euro, como relatado na Caravan 77. As visitas à oficina, sempre aos sábados, marcaram minha lembrança e minha memória afetiva. Nesta época, meu pai decidiu mudar a cor do carro: de vermelho passou para preto. As rodas Mangels foram pintadas de grafite (originalmente eram prata). Os para-choques possuíam “poleiros”(tubos acessórios estéticos) que foram retirados. A placa? QV2636.

Mas o mais marcante de tudo foi o som. Quando levamos o carro a um eletricista, situado na Avenida Jansen de Melo (lado oposto ao posto Touring Club) descobrimos que os alto-falantes eram de marca Pagoda, com cornetas de mesma marca (como foi o ARA120 da Arlen), amplificador Infinity MKII (que possuo um igual até hoje) e o rádio, Bosch LD 243. Esse momento foi o primeiro com um som de carro potente. Mas para qualquer criança, um som de carro é potente.

Outro fato marcante foi quando o carro foi retirado da oficina. Data: 24/12/1983. Como eu sei disso??? você se pergunta. Simples: o carro chegou em nossa casa às 17h, para aprontar a viagem à Petrópolis e juntarmos ao restante da família. Eu, criança, fui sentado sobre um saco de roupas, tomava banhos homéricos de água de chuva, pois as borrachas de vidro e fundo não eram novas, permitindo a entrada de água de uma chuva torrencial que caia no RJ.

A venda do carro me deu muita tristeza, pois como criança tive excelentes momentos nele, mesmo por pouco tempo.

 Corcel Cupê 73

Esse corcel pertencia à minha tia e meus primos. Eles fizeram muitas viagens nesse carro numa época em que a vistoria não era tão rigorosa como hoje. Por isso, sua lataria apresentou vários pontos de corrosão, recebendo o apelido de “Podrão” (meus primos diziam que não era um carro que tinha podre, mas sim um podre que tinha carro).

Quando criança eu gostava muito de brincar nele. O painel iluminado verde, o comando de alerta separado numa caixinha quadrada com um som muito engraçado, a alavanca do câmbio enorme, o cheiro da napa do estofamento. Tudo isso vem na memória.

Outra vez foi em Cabo Frio, quando o carro simplesmente se recusava a funcionar. O salvador da nossa pátria foi um colega de família que já sabia do problema crônico desse carro: regulador de voltagem. O relé cismava de agarrar e impedir a partida do motor. Nada que uma lixinha de unha não resolva. 

Passat LS 78

Esse foi o último carro mais antigo que tivemos. Os carros relatados acima tinham, pelo menos, 10 anos de uso. Ou seja, todos passaram por reforma.

O Passat não foi diferente. Modelo LS, 2 portas, verde, rodas de liga aro 13” marca Limbra, bancos altos, placa QT5564. O carro tinha um problema crônico, comum aos mesmos de sua época: aquecimento. Curiosamente meu pai deixou de comprar um Dodge 1800 pelo mesmo motivo. O carro não tinha um som bom, mas a combinação de sua cor com as rodas o tornavam especial.

O câmbio 4 marchas já era considerado ultrapassado, pois vários carros na mesma época (falo de 1988) já possuíam 5 marchas. A reforma foi feita na mesma oficina, mas em outro lugar: na antiga estação da Cantereira, São Domingos – Niterói.

Esse carro também ficou um bom período conosco, aproximadamente 4 anos.

 

Infelizmente não podemos manter tudo aquilo que nos marcou. Talvez tenham marcado exatamente por terem cumprido sua tarefa e se retirado de campo.

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