A mais bela foto que já tirei

Fotos, instantâneos, cliques, são todos muito particulares. Grandes fotógrafos em suas exposições precisam explicar ao público o que essa ou aquela foto querem dizer. Resumir nunca é a opção, pois todo o processo criativo tem de ser exposto para compreendermos; o que não significa dar o “pulo do gato”.

As mais belas fotos podem ser tiradas com as câmeras mais simples. Normalmente o feito é dado pela limitação do aparelho, por vezes é um defeito da mesma. Hoje existem mostras de vídeos e fotos tiradas em celular, que ganham dia a dia qualidade e precisão.

Nesse caso, a câmera é uma Olimpus Supertrip, filme Kodak Asa 100, revelado na DePlá. Nada de anormal, certo?

Então, qual é a magia? O momento.

A época em que essa foto foi tirada eu vivia num dilema pessoal: comprei um carro antigo e não sei como me incluir, seja num grupo ou outra coisa qualquer. O Dodge tinha alguns problemas, que com paciência fui resolvendo paulatinamente, devido ao dinheiro escasso e aos profissionais pouco dispostos a resolver (na época). E nessa época, tinha alguns próximos que apoiavam (mesmo que não muito claramente): meu pai, meu irmão e meu sobrinho.

No caso do meu irmão, pela curtição de um v8 recuperado em uma época de Gols, Milles, Corsas, carrinhos pequenos, minúsculos comparados a um Dart. Essa predileção ele tenta passar aos filhos, que gostam da excentricidade de um carro de 5 metros e dourado. Mas somente o tempo dirá.

O meu pai foi, provavelmente, o causador disso tudo. Num dia após a aula, meu pai chega em casa e me pergunta: “Já andou de carro grande?”. O que eu poderia imaginar ser um carro grande, se na época tínhamos uma Chevrolet Caravan? Maior que isso? Sim, é possível. Quando descemos à rua, visualizei um Charger R/T, dourado, provavelmente 75, do seu amigo de trabalho William Guerra (ex-comandante de marinha mercante). O mesmo havia pedido ao meu pai que levasse o carro dele até sua casa, pois embarcaria no mesmo dia e não queria deixar o carro no estacionamento da empresa. Essa foi sua tarefa. E eu embarquei nela. Lembro-me bem de entrar e sentar no banco traseiro, afundando no couro macio e ouvindo o ecoar do V8 com escapes 8×2. Memória afetiva é isso.

E o destino me fez adquirir um Dart Dourado.

E o meu sobrinho, sentado ao colo de meu pai segue o meu caminho. Apaixonado como poucos, sempre disse que esse carro seria a herança minha dele (mal sabe ele que os primos também querem…). Muitas vezes, o prêmio por bons resultados na escola é andar de Dodge. Mas quem não gostaria de ser recompensado dessa forma?

A foto foi tirada fazem 13 anos, mas o momento ainda é muito vivo em minha memória.

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