Waterman Crusader 1949 (mechanical pencil)

No nosso período de escola, até a 5ª série usamos lápis nos nossos cadernos e livros. A partir desse momento, passamos a usar as canetas, pois os professores entendem que usar eternamente um lápis não faz com que você seja mais caprichoso com sua escrita, muito menos ordene seus pensamentos antes de colocá-los no papel. Falei inúmeras vezes que o digital facilitou por um lado, dificultou por outro.

O Microsoft Word já disponibiliza a margem padrão conforme a ABNT, o espaçamento de linhas, além da possibilidade de se arrepender e corrigir o que foi escrito.

Nunca fui caprichoso, diga-se de passagem. Minha letra era de razoável para ruim, sendo canhoto, muito parecida com a de minha mãe (foi mal mãe!). E como todo adolescente homem, está pouco se importando com rasuras e garranchos. As meninas, por outro lado, mantém até o fim da vida (ou quando não tem Parkinson) a letra bonita, redonda, caprichosa, colorida, cheirosa. Ok…existem exceções (minha sogra que o diga). Sempre fiquei encantado com a letra do professor de matemática e a linha reta sem régua do professor de geometria. Ambos são mágicos no que fazem, mesmo que não entenda bulhufas do que estão falando.

E quando entrei na universidade, a grade curricular disponibilizava como matéria obrigatória a Geometria Descritiva (diedros, épura, cota, afastamento, projeções…), Desenho Técnico (perspectiva isométrica e cavaleira, planos, hachuras…) e os Desenhos Mecânicos (cortes, vistas, detalhes e mais hachuras…). Foi aí que a porca torceu o rabo! Todo canhoto (exceto os que esforçaram) escreve com o lápis/lapiseira e apaga/borra com a faca da mão. Não é porcaria não; simplesmente a mecânica do corpo humano, associado a técnica desenvolvida e aprimorada pelo cérebro que fazem essa sujeirada toda.

Muito bem, muito bem. Tirando a técnica pessoal, existem as regras para desenhos técnicos. E mesmo para quem ache que isso tudo é uma grande palhaçada, toda a técnica aprendida tem um motivo para existir. As linhas não possuem espessuras diferentes por gosto do desenhista; o carimbo de um desenho mecânico adota letras em itálico por outro motivo; escala então, é uma das variáveis mais importantes no processo. Por isso, o professor recomendava que tivéssemos esquadro (mais comuns: Compactor e Arquimedes), transferidor (idem), bolômetro (Trident e similares), compasso (Stadler e Kern, os mais concorridos), régua “T” (Trident) e, last but not least, Lapiseira/Lapis.

Nunca obtive sucesso com o tal do lápis. Sempre deixei cair no chão, nunca sabia a hora de parar de apontar, mordia ele todo. Já a lapiseira conseguia me “domar”. Mesmo negligenciando, tive muitas diferentes. Lembro-me bem de quando passei para Engenharia, meu primo me presenteou com uma Kooh-I-Nor, estando nas mãos de 10 entre 10 calouros da engenharia no seu tempo.

Muito tempo depois voltei a usar lapiseiras para executar os projetos da disciplina de Desenho de Máquinas, pois usando papel vegetal não teria alternativas. E a minha alternativa foi ser mais caprichoso e menos “porco” do que de costume. Acho que me saí bem, mesmo com a benevolência dos professores. Resultado: trabalhos mais limpos, letra melhorada e uso mais frequente de lapiseiras. Não tenho muita força na escrita, principalmente pela dor que causa. Desse modo, fiz a escolha de usar sempre grafite 2B, nas medidas 0,5mm e 0,7mm. Usar um 2B de 0,9mm poderia causar desperdício de grafite, deixando restos pelo caminho, voltando a sujar tudo e retroceder na técnica.

No post Lapiseira Sheaffer, foi relatado que a compra da mesma era para garantir o combo original, dificultando mais e mais a reunião se demorasse muito a tomar uma decisão. No lote, para não perder a oportunidade, adquirir uma lapiseira Waterman. O modelo é uma Crusader de 1949, verde, funcionando inclusive com a borracha, mas tendo o seu clip afrouxado devido ao cap também frouxo. Nada que um profissional do ramo não resolva em 5 minutos.

A lapiseira tem um estigma de uma ferramenta de menor valor e menor qualidade, porque simplesmente se pode reverter o que foi feito, escrito. Muitos esquecem que a mecânica dela é mais complexa que qualquer caneta esferográfica ou rollerball, ficando atrás somente de algumas canetas tinteiro mais especiais. Quando junta de uma caneta, de mesma série, fazendo o tal combo, o valor dela sobe pela dupla formada.

Mas quem usa uma lapiseira, não está preocupado do valor dela em si, em sim com a praticidade.

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Uma opinião sobre “Waterman Crusader 1949 (mechanical pencil)

  1. Gostei muito da história e muito também da aquisição. As pessoas estão acostumadas a extremos, dar valos só ao que todo mundo dá, ou só ao que um pequeno grupo da elite do assunto dá, se esquecendo que nenhuma ferramenta foi inventada à toa, nem as de escrita.
    Em tempo, eu também sujava os desenhos, mesmo sendo destro, cousas de minha anatomia.

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