Lembranças da infância – parte 1

 

Ao conversar com as pessoas durante anos, percebi que nem todas tinham grandes lembranças da sua época de infância. Isso ocorre por vários motivos: uma infância rica em aventuras, em que momentos triviais são soterrados pelos mais emocionantes; uma infância marcada por agressões e/ou abusos, em que o adulto faz questão absoluta de esquecer; ou ainda, ser uma criança que gosta de tudo e não gosta de nada, ao mesmo tempo. Graças a Deus, não fui nenhuma delas.

No meu caso, como uma criança tímida, tinha o costume de acompanhar os adultos. Acho que, inclusive, esse é o mote de minha vida: acompanhar os mais velhos para aprender com eles. Nunca fui bom de bola, futebol de mesa, etc… no máximo andar muito de bicicleta (apesar de possuir uma CaloiCross, saltos e manobras não eram o meu forte também).

Então, em um amigo-oculto de turma de colégio, pedi na lista uma fita k7. Eu estava saído da fase de lp´s compactos coloridos de história (gato de botas, arca de noé…) e entrando naquela em que a música começa a fazer parte da vida de uma pessoa. E obviamente a influência era meu irmão.

Eventualmente eu o acompanhava na peregrinação de lojas de discos em Icaraí, como a loja do Gilmar, Stop, ABN Discos, Zartransa, entre outras. Nessas, o som estava sempre tocando o álbum de um eventual comprador ou um recém lançado disco. E é claro que me influenciei por esse tipo de som, basicamente rock´n roll.

Voltando à K7, ganhei uma Basf LM, amarela, que marca a memória de qualquer um com seu cheiro forte de acetato. Mas, por motivos óbvios, não sabia o que fazer com aquele presente. Pedi e não sabia dar uso! Percebendo que minha tendência seria gostar de rock em geral, meu irmão se prontificou em gravar algumas coisas. Não era fácil gravar uma fita, pois quem possuía um gravador decente eram os abonados, que não faziam parte do circulo de amizade dele. No meu caso, nosso vizinho de baixo possuia um belo setup, até onde lembro: Receiver Marantz 2235b, Caixas Lando LB310 e TD Pioneer. Mas como eles eram imprestáveis, beirando ao “espírito-de-porco”, nunca cogitei pedi-los para gravar um peido sequer.

Sua única opção era usar um gravador portátil National Panasonic (post https://v8andvintage.wordpress.com/2011/06/06/radio-gravador-national-panasonic/), que não era um maquinaço, mas atendia ao propósito. Nessa época, nosso 3×1 também National Panasonic 2235 não tinha mais o tape funcionando, nos restando o portátil. Se o equipamento era um rádio-gravador portátil, de onde seria a fonte das músicas? Rádio, meu nobre! E na década de 80 as rádios do RJ tinham programas de rock e derivados, quando não exclusivas. Por exemplo: Eldorado, 98 FM e, representando Niterói, Fluminense FM (“A Maldita!”).

Encontrado o programa certo, meu irmão “torrou” a BASF amarela, acredito que quase na totalidade dos 60 minutos. A sequência de músicas obedecia a sequência do programa, mas não sei ao certo se foi em um único programa (improvável) ou em vários dias diferentes (mais provável). Minha memória, em alguns momentos é prodigiosa, o que faz com que lembre parte da sequencia gravada por ele.

Quem quiser procurar essas músicas, verá o nosso gosto pessoal.

Almann Brothers Band – High Falls;

Blue Öyster Cult – R U ready to rock;

Black Sabbath – Iron Man;

Jimmy Hendrix – Freedom;

Rick Derringer – Sailor;

Deep Purple – Smoke on the water;

Rainbow – Kill the king.

 

O restante da lista se perdeu no tempo.

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