Sheaffer Triumph Lifetime Crest (circa 1942)

Estática não é meu tipo preferido de física; sempre preferi a dinâmica, seus fatores e consequências. Quando estudava engenharia, dinâmica máquinas, dinâmica dos fluidos, elementos de máquinas eram as disciplinas que me saia melhor, em detrimento de resistência de materiais.

Estou falando sobre a dinâmica propriamente dita, seja de máquinas, de pessoas, de conhecimento, da vida. A estática me incomoda, pois não há novidades durante um período de tempo. Sou movido a novidades e por vezes fico incomodado quando nada acontece; em muitas oportunidades provoco para que algo novo apareça. Andar, ler, assistir, observar…

Desde que comecei esse blog, meu conhecimento foi se ampliando, pois comecei a enxergar um mundo que existia antes do meu nascimento, alcançável, muitas vezes tachado de antiquado. Prefiro dizer tradicional. Algumas preferências não se alteraram, com exemplo, móveis. Dificilmente gosto de um móvel antigo, apesar de admirar, não levaria para casa (salvo raríssimas exceções). Não gosto de roupa usada, mesmo sendo lindíssima, bem acabada, imaculada. Mas algumas outras me pegaram pelo pé.

Carro é uma paixão antiga, que realizei adquirindo o meu em 1999; Som antigo é outra paixão, que comecei realizando em 1996. Mas relógios e canetas, estes realmente são recentes.

No post sobre as canetas Parker 51 de meu pai (https://v8andvintage.wordpress.com/2011/11/24/parker-51-e-o-seu-renascimento) , falei sobre minha iniciação aos instrumentos de escrita, desbravando um campo que nunca havia me metido. E peguei gosto. Primeiro porque há uma beleza intrínseca ao produto; segundo, canetas possuem valor individualmente e em coleção; terceiro, pessoalmente estou tentando reverter o desprezo pela escrita, fazendo com que tudo seja digitado, assassinando o português e massacrando a caligrafia.

Um fato interessante que constatei recentemente é que NUNCA ESCREVEMOS ERRADO!!! Ou ouvimos/lemos errado, ou ouvimos/lemos certo e processamos errado escrevendo. A digitação, com o famigerado “copia-cola” nos induz a inúmeros erros, que cansam a quem corrige e a quem lê.

Mais uma vez dando meu bordejo pela cidade, entrei em alguns antiquários no bairro de Lourdes, donde achei um com uma pequena coleção de canetas. Algumas identifiquei prontamente (Sheaffer), outras tive de pesquisar na net (Wearever). Em outra oportunidade, já com conhecimento adquirido e formulário em mãos,  comprei a caneta abaixo:

A mesma apresentava pequeno defeito na bomba, serviço que não tenho qualquer traquejo para mexer. Liguei para o meu “personal pen technician”, o Sr. Eduardo, e ele me disse que não tinha peças para fazer a manutenção de uma Sheaffer Triumph. Ok! Sem problemas!

 

Em outra oportunidade visitei uma loja no centro de BH chamada “O bico das canetas”, recomendado pela própria Sheaffer como oficina autorizada. Ao visitá-los, a recepcionista me informou que eles não fariam a manutenção desse modelo, mas prontamente recomendou um profissional que conserta tudo aquilo que eles não fazem.

Ao adentrar a loja do Sr. Alcivander, percebi que era o profissional preferido dos donos de canetas em BH, pois tinha não só acerto, mas também estrutura para tal. Mostrei a caneta e o mesmo me disse que ficaria pronta em 3 dias. Esse prazo foi o mesmo dado pelo Sr. Eduardo para reparar as Parker 51 de meu pai.

Quando peguei a “criança” pronta, fiz algumas perguntas para detonar alguns mitos:

1 – A tinta preta para tinteiros realmente pode entupir o seu interior, se a pena não for de ouro. O motivo é que essa cor possui na composição óxido de ferro, em que algumas partículas ainda em formação (óxido é quase sempre estável) podem atacar a pena e degradá-la;

2 – A marca da tinta: qualquer uma, preta ou azul, vêm de um único fornecedor mundial, a BASF (Bayerich Anilyn und Soda Fabrik). Portanto, os fabricantes recebem a matriz da Alemanha e realizam pequenas alterações na diluição e tonalidade. Ou seja, tudo igual.

 

Esse exemplar recém-adquirido é modelo Triumph, pena 585 (58,5% de ouro ou 14k), fabricação até 1949.

 Vou aproveitar o espaço e transcrever as dicas de como conservar a sua caneta, em folder gentilmente e gratuitamente distribuído pela Alcivander Canetas.

 

Canetas Tinteiro: passo a passo na limpeza

– Deve ocorrer quando a caneta não foi usada por algum tempo ou na troca da cor da tinta.

Parte da pena:

– Desrosquear do corpo da caneta;

– Retire o cartucho/conversor cuidadosamente;

– Lavar em água corrente fria (não utilizar água quente, ela pode danificar a peça);

– Nunca utilize outros líquidos para fazer a limpeza;

– Agite-a um pouco e seque-a com um pano limpo ou papel absorvente até que não haja mais vestígios de tinta. Caso contrário, repita a operação;

O conversor:

– Pressionar o conversor uma vez para que saia toda e qualquer tinta existente. E com o conversor sob água corrente fria, ativá-lo várias vezes até que a água comece a clarear (encher e esvaziar o conversor).

Lavagem fina:

– Coloque água em um copo;

– Encher com água a caneta com o conversor acoplado e solte a água numa pia. Repetir várias vezes;

– Seque a ponta com um pano limpo ou papel absorvente para retirar o excesso d’água;

– Se após a lavagem ainda houver um pouco de água na parte onde está localizada a pena, a escrita nas primeiras linhas poderá sair clara.

Cuidado com a parte externa:

– Caneta que tenha corpo de resina deve ficar distante de qualquer perfume ou produtos químicos, pois eles podem danificar o material (manchas)

– Independente de qualquer revestimento, evitar qualquer tipo de colisão, queda ou contato com objetos pontiagudos ou metálicos;

– Utilizá-la cuidadosamente, evitando movimentos bruscos.

 

Lembrete importante:

– Procure fazer uma revisão periódica a cada três anos em sua caneta;

– Para que o fluxo de tinta seja constante, a limpeza deve acontecer pelo menos duas vezes por ano.

 

Visitem: WWW.alcivander.com.br

Rua São Paulo, 638 Loja 5c – Centro – Belo Horizonte.

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3 opiniões sobre “Sheaffer Triumph Lifetime Crest (circa 1942)

  1. Hoje, porque não tínhamos uma só impressora funcionando na Vigilância Sanitária (né, prefeito-laranja?) precisei encaminhar, por manuscrito três processos, para o que estava munido de uma rústica tinteiro com corpo e couro, tampa de mogno e anéis de aço envelhecido.
    Ao contrário dos fiscais, consegui fazer uma minuta legível, clara e concisa, mesmo em um A4 sem pautas. Mérito compartilhado com minha pena macia e precisa… Acredito que as outras divisões deixaram para amanhã, ou depois, ou até um contribuinte ganhar a causa por expiração de prazo.

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