Enquanto os outros param, ele continua…

…com seu barulhinho característico.

tic-tac, tic-tac…

Acordo de manhã e dou corda

1, 2, 3…9, 10. Pra não cansar

E começa, tic, tac…

E penso: que foi o dono dele?

Por que abandonaram no relojoeiro?

Por que o fundo não é original?

Qual o número de série dele?

Qual o ano? 1958, 1960, 19-e-quanto?

Onde arranharam ele?

Por que trocaram a pulseira por uma maior?

Quem perdeu a pulseira original?

Quantos revestidos de ouro rosa fizeram?

E ele continua: tic-tac…

Ninguém presta atençao nele.

35mm num pulso largo, até desaparece.

Dá orgulho,

não atrasa, nem adianta.

Como o ditado diz: relógio que atrasa não adianta!

Em que pulsos teve?

Quantos ladrões o cobiçaram?

Por que ninguém quer um relógio à corda?

Cadê a caixa original dele?

Cadê o certificado dele?

E ele continua: tic-tac…

Impassível

Ritmado

Discreto

Silencioso

Acabo o dia e guardo-o na caixinha

Não é a melhor

mas é melhor que largá-lo.

E ainda resta um pouquinho de força na corda

Tic…

Tac…

Tic.

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