Parker 51 (e o seu renascimento)

Quando mais jovem e estudante tive a oportunidade de usar uma caneta Parker Vector preta, na qual durou aproximadamente 2 anos comigo. Como raras vezes acontece comigo, perdi não sei onde; é muito difícil eu perder ou quebrar algo em minhas mãos. Sou extremamente cuidadoso mas não medroso de não usar. E obviamente, a marca ficou na minha lembrança como elegância acessível.

Ao longo de minha vida ganhei outras canetas, como Cross (quando estagiei na BR Distribuidora), Crown (recentemente pelo meu chefe), Parker Jotter esferográfica + lapiseira(aniversário de 15 anos), Compactor esferográfica + lapiseira (também nos meus 15 anos), mantendo-as todas dentro de suas embalagens. Digo que não é muito fácil usar todas que tenho, pois definitivamente sou canhoto e uso uma por vez. Outro receio é que, como é algo que você normalmente deixa sobre a mesa e eventalmente empresta, é muito provável que não lhe devolvam – fato notório com as canetas Bic Cristal. Se raramente te devolvem uma esferográfica de R$2,00 , porquê devolveriam uma caneta de marca?

A caneta é um símbolo natural de status (ou falta dele), participando de grandes momentos da história mundial, local ou pessoal. Ao assinar um tratado entre países, o protocolo da cerimônia impõe o uso da melhor roupa, melhor auditório, renomados fotógrafos e a melhor caneta. Confesso que em alguns desses momentos não consegui identificar as canetas usadas, pelo motivo de não ter meus olhos treinados para tal nem conhecimento suficiente para ser taxativo. Talvez uma Mont Blanc (alemã), Pelikan (alemã), Esterbrook (americana), Waterman (americana ou francesa), Von Faber-Castell (alemã), Lamy (alemã), Sheaffer (americana), Conklin (americana), DuPont (americana), Aurora (italiana), Caran D’Ache (suiça), Pentel (japonesa)… No meu casamento mesmo nem sei qual foi a caneta cedida para assinar o livro pela Paróquia de São Lourenço!

Num determinado ferado visitando meus pais, perguntei se ainda existiam as canetas Parker do meu pai, guardadas ou jogadas em uma gaveta ou algo parecido. Ele me respondeu que ainda existiam e buscou-as em uma caixa junto com outras infinitamente mais baratas e ruins… Ou seja, o lugar e o status não haviam sido ainda adequadamente reconhecidos. Naquela conversa falei que havia conhecido um restaurador na feira de antiguidades de BH e que me parecia não só conhecer profundamente como também confiável.

Meu pai topou a restauração, como veremos a seguir.

Esses são os fatos:

– Eu sempre achei que uma caneta era a Parker 21 e a outra era 51. Fui desmentido somente lendo o corpo dos exemplares: ambas são 51;

– Uma delas é modelo Standard e a outra é a Special, ambas aeromatic;

– Só existia uma tampa disponível para duas canetas, com pedra preta;

– A cor, que aos olhos de leigos parece verde, na verdade é azul (Teal Blue);

– O corpo das duas estavam desaparecidas faziam anos;

– A pena das duas canetas estavam empenadas, sendo uma a quase 90 graus de ângulo. Meu pai argumenta que elas foram empenadas pelos filhos quando criança brincando com elas (plausível mas sem evidências…);

– Em uma conversa breve com meu pai e com o restaurador (em momentos diferentes, claro!) descobri que as Parker eram populares mas não exatamente baratas. Nessa época, quem assumia uma posição melhor na empresa, conseguia o primeiro emprego ou passava na faculdade, ganhava uma dessas de presente. No caso do meu pai, meus avós não tinham a mínima condição de presenteá-lo com uma Parker, sequer duas. Ele mesmo adquiriu quando tinha aproximadamente 17 anos durante o seu primiro emprego (Mesbla).

– Pela descrição dele, talvez estejam guardadas (ou jogadas?) por 30 anos…

Levei ao Sr. Eduardo no dia 5 de novembro conforme combinado para a restauração, que não imaginava levar somente 5 dias para tal. Durante a conversa, ele havia deixado claro que mui provável não teria disponível o corpo da cor original (Teal Blue). Perguntei retóricamente se as Parker 51 já tinham sido vendidas com 2 cores e o Sr. Eduardo afirmou que não. A minha intenção seria adaptar um corpo preto em uma frente azul, pois bicolor (qualquer cor com preto) sempre combina bem. Mas mesmo assim ele não tinha dois corpos pretos para compor a dupla.

Resultado:

Pena substituida na caneta “special”, pois na outra foi possível desempeno e recuperação. Na nossa negociação havia falado que queria uma tampa para compor a dupla, preferencialmente em condições similares de conservação e modelo. A promessa foi cumprida e ele me vendeu uma similar, mas com pedra cristal.

Obs.: Pedra é o acabamento da tampa, próximo ao clip. Lembra uma pedra semipreciosa, mas de acrílico.

Quanto aos corpos, tive uma grata supresa. Ao chegar na feira para pegar as canetas recuperadas, o Sr. Eduardo me brindou com dois corpos somente par compor. Ele mesmo havia dito que o corpo não afeta a operacionalidade da caneta, somente a empunhadura. Assim, ele colocou um corpo cinza intacto e um azul (da cor da caneta) com a extremidade quebrada; naquele momento, o que importava era compor. Quem sabe não encontro uma?

Para mais informações, acesse

www.parker51.com

www.starfountainpen.com.br

www.fountainpenhospital.com

Ou ainda:

Sr. Eduardo Gomes, entusiasta e restaurador de canetas tinteiro (31-99722454).

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  1. Pingback: Sheaffer Triumph (circa 1948) | V8andvintage's Blog

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