Radio Gravador National Panasonic

Algumas coisas marcam a vida das pessoas e não damos conta do valor daquilo que passa diante de nós…

Quando criança, tínhamos em casa o aparelho de som que nossa condição permitia. Entre 1978 e 1982, quem possuia um Marantz era o audiófil de hoje, um Sansui era magnata e um Gradiente já era invejado pela vizinhança.

Lá em casa, apesar de algumas facilidades de meu pai pedir encomendas no exterior mesmo com importações proibidas, tivemos 3×1 National, walkman Sony, ventilador importado, microsystem Hitachi (não confundam com Philco-Hitachi) e um radio gravador National.

Para quem não sabe, National, Panasonic, Technics vem todos de uma família japonesa, a Matsushita; o mesmo que teve um representante na Formula Indy, o Hiro Mastushita. Esse aparelho é o que poderiamos de chamar hoje de “iPad-com-dock-station”. Como era toca-fitas e rádio, podíamos levar para Cabo Frio com as fitas pré-gravadas.

Nesse tempo, meu interesse por música evoluia paralelamente com meu irmão comprando lp’s e sempre estudando a história das bandas e respectivos músicos. Num dia, após um amigo-oculto do colégio, ganhei uma fita BASF LM (aquela amarela horrorosa) 60 minutos.

Tendo a mim como cobaia de seus estudos “musicológicos-psicosociais-púbero-metaleiro”, meu irmão gravou uma coletânia para minha iniciação no rock, usando esse gravador abaxo:

National-Panasonic RQ-544BS

 Lembro-me bem de ter gravado nessa fita “High falls”, do Almann Brothers Band, “Saylor”, do Rick Derringer e “RU ready to rock” do Blue Oyster Cult. É claro que isso hoje faz parte da minha cultura musical, impossível de esquecer.

Aparelho valente mas também bem tratado, resiste até hoje na casa nos meus pais, servindo exclusivamente para ouvir os jogos do Flamengo…

Apesar de sua simplicidade, podíamos inserir um equipamento auxiliar, como uma eletrola ou outro tape; microfone com plugue duplo que sincronizava com o start-stop; tinha controle de volume para playback; e finalmente saída para caixas acusticas 8 ohms.

É claro que com o professor pardal aqui à solta, tratei logo de achar um mei de ligar esse rádio a uma caixa de som. Em casa, tínhamos uma caixa amplificada, verdadeiro “mico-preto” marca Incson. Contou uma vez um técnico que essa caixa não deveria ser deixada ligada sem som, com o risco de pegar fogo…

Pra evitar incêndios, tratei de desligar o amplificador e instalar um plugue P2 para podermos ouvir um som melhor (se é que isso é possível).

Não tínhamos opção: para ouvir som você vai pra varanda ou deixa então os mais velhos assistirem TV (UHF na época). Qual escolha? Leva o gravador+caixa pra varanda. E a tomada? Vai de pilha Eveready mesmo até aguentar (o cantor no fim parecia o Tim Maia de tão lenta ficava a fita).

Com esse aparelho eu aprendi que a diferença entre o acerto e o erro era de 1cm. Quando colocava fita e apertava o play, normalmente apertava o rec; com o microfone embutido, invariavelmente perdia um pedaço da música inserindo um palavrão ou murmuro meu reconhecendo a cagada.

Depois aprendi que o animalzinho aqui deveri quebrar as abas da fita após uma gravação, a fim de evitar os “ahnn”, “droga!”, “ih, fiz merda…” e assim por diante.

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