Profissionais e profissionais

Quem assiste telejornal ou lê os periódicos disponíveis, percebe que há um assunto recorrente e que, em alguns momentos é alarmante: o apagão de profissionais.

Os jornalistas tem como foco o profissional de carreira, graduado, que produz, que cuida de nós ou de nossos bens. Engenheiros, Médicos, Administradores são profissionais que possuem “visibilidade” do mercado, até mesmo pelo status que carregam.

Raros são os profissionais técnicos que tem uma reportagem especial, mesmo que sejam considerados “mosca branca”: lustrador de móveis, antenista, técnico de eletrônica…

Esse hoje é o meu problema; o nosso problema, aliás. Não estou sozinho nessa luta, considerando que existem outros inúmeros amantes de som vintage e donos de carro antigo. Fazem 8 anos que reformei completamente meu Dodge Dart. Para tal, combinei com um pintor e um lanterneiro que, após o expediente e durante fins-de-semana, trabalhavam sobre o meu carro. Trabalho cansativo mas esmerado, me custou caro compensado pelo trabalho primoroso de ambos. Não é à toa que todos elogiam até hoje o serviço.

Nessa época procurei vários profissionais que diziam ser especialistas. Alguns estavam tão atarefados que nem pensavam em pegar mais um carro para trabalhar; outros eram meramente curiosos que tentavam surfar numa nova onda. Felizmente escolhi um excepcional profissional e ser humano igualmente grande.

De tempos em tempos aparecem oficinas especializadas em restauração, com inúmeros diplomas pendurados na parede, mas sofrem do amadorismo empreendedor para tocar os serviços que assumem. Pegam mais carros que comportam, avaliam mal os problemas e, no fim, pedem reajuste. Você, se não conhecer do trabalho, achará que está sendo trapaceado.

Com relação à eletrônica ocorre o mesmo fato, de procuramos profissionais, colocar o nome da lista e torcer para tudo dar certo.

Confesso que sempre tive sorte, associado a profissionais honestos que encontrei pela vida. Os técnicos de eletrônica que trabalho(ei) sempre mostraram suas dificuldades, deficiências e limitações antes de começar o serviço. Apenas um único profissional me enrolou além da conta, mas também não me trouxe prejuízo algum.

Hoje temos profissionais que sofrem do mesmo mal: pegar molezinha para consertar. Trocar um fusível, um cabo rompido, um “fly back” (que foi moda por um tempo), ou seja, trocadores de peças. Se alguém tiver de resoldar o circuito devido a soldas frias (solda que se desagrega da placa), colocam inúmeras dificuldades para não topar para fazer o serviço. O volume de aparelhos fáceis de consertar mantém o negócio aberto a baixo lucro. O custo é quase sempre o mesmo; a concorrência é grande (de trocadores então…) e os falsos profissionais se multiplicam, reduzindo drasticamente o valor pago pelo serviço.

Um dos técnicos que mais confio, o Antônio Marques (aka Tonhão) tem muitos aparelhos para recuperar e pouco espaço, pois trabalha em casa. Associado ao extremo capricho e zelo pelo aparelho, o seu serviço por vezes é demorado mas recompensado. Se ele tiver muitos serviços difíceis em um mês, corre o risco de não entrar um mísero centavo no seu bolso, pois não conseguiu proseguir com nada.

O meu outro técnico de confiança, o Fabio Araujó (aka Dj Soneca) é competentíssimo e esmerado, mas sofreu um acidente que o impossibilita de consertar os aparelhos: cortou o dedão da mão. Ele está parado fazem 4 meses sem poder segurar num ferro de solda. Sendo assim, não posso contar com ele.

Aqui em MG existem vários técnicos recomendados por colegas de Htforum. Não os conheço pessoalmente, mas estou anotando num caderninho o nome e os telefones deles. Pra que eles possam ganhar a minha confiança, preciso primeiramente mandar algo como “bucha”, ou seja, para teste sem comprometimento caso algo dê errado. Todo aquele processo de ganhar confiança tem de ser reiniciado; a preocupação e a desconfiança fazem parte desse tipo de relacionamento.

Por isso que frequentemente dizemos que exstem profissionais e profissionais…

Anúncios

Uma opinião sobre “Profissionais e profissionais

  1. Pena que o único critério que a licitação pública considera é o preço. Um “tenico” em ar condicionado arrebentou com a nossa rede eléctrica e quase perdemos o trabalho nos computadores. Depois recontractaram o mesmo porco para deixar o gás escapar todo na atmosphera e deixar tudo sujo. Mas ele cobrou mais barato, mesmo tendo saído mais caro, então…

    Curtir

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s