Como fazer um hot

Essa coluna foii publicada a 8 anos no site www.bielaquente.com.br . Esse era o clube no qual participei com muito orgulho e fez enorme sucesso no RJ.

Assim, estou republicando o que consegui guardar no computador para aqueles que não tiveram oportunidade de ler na época.

1 – Carroceria:

 Ao escolher uma carroceria para confeccionar um hot, deve-se atentar para os seguintes detalhes:

  • É estruturalmente forte;
  • Pontos de corrosão;
  • Espaço para um novo motor e cambio;
  • Espaço para novo interior.

 Se somente a carroceria serve para você, então escolha um chassi compatível com a sua escolha. Chassis grandes demais serão cortados e redimensionados. Observe a área para sustentar o motor e a distancia da cabina de passageiros. Este deve estar compatível com a carroceria a ser apoiada.

Carroceria que se encontra com corrosão vermelha (só oxidação) deve ser mantida assim até o inicio da pintura. Ela não progredirá enquanto você estiver trabalhando. Em interrupções prolongadas, deve-se lubrificar as áreas expostas, para quando retornar, não encontrar a peça comprometida.

Chapa com mossas podem ter duas origens: amassamento ou fadiga. No caso do amassamento, a região envolvida não foi encruada, isto é, endurecida. Pode retornar a posição original até com a mão. No caso de fadiga, o processo é um pouco mais sensível: a área ao redor pode estar endurecida e, no ato da funilaria, pode romper-se. Propõe-se aquecer homogeneamente a área e retornar calmamente a posição original.

Regiões onde houve perda de material (podre), deve ser reparado com chapa de mesma bitola da original. A soldagem recomendada é a MAG ou MIG. MAG (Metal welding Argon Gas) e MIG(Metal welding inert gas) produz soldagem com melhor controle do operador, menos oxidação na região reparada e menor temperatura sobre a chapa.

 Os cuidados com a pintura são inúmeros. Um bom pintor é imprescindível, porque erros cometidos por ele tem que ser desmanchados por outro. Converse com ele quanto ao tipo de tinta. Existe uma incompatibilidade entre esmalte sintético e PU. No caso de mudar o tipo de tinta, pode-se usar um primer de compatibilização ou remover toda a tinta antiga. Prefira a 2ª opção, porque a 1ª gera alta espessura, podendo arredondar vincos e cantos vivos da lataria.

  A cor é de sua escolha, podendo seguir novas tendências, como o perolizado ou o fosco. Uma boa pintura depende essencialmente de uma boa preparação da base. Se esta for irregular, a tinta final também será.

 Os acabamentos devem seguir o estilo geral de sua arquitetura: um carro radical, não tem frisos nem símbolos; algo mais clássico, mantém os cromados e apetrechos. Para aqueles mais sóbrios, deve evitar a pintura das peças cromadas. Quando é necessário fabricar um componente, como pára-choques por exemplo, devido ao acabamento em geral deficiente, a pintura é recomendada para encobrir eventuais defeitos no dobramento. É claro que você deve dar preferencias por peças bem feitas e cromá-las. Não se esqueça de frisos e estribos, onde houver. Existem empresas especialistas em reproduzir fielmente os originais.

 2 – Motorização

 Existem algumas regras que devem ser obedecidas para um bom rendimento sem sustos.

 Para escolher um motor, adota-se uma regra: utilizar um motor da mesma fábrica da carroceria. Não escolha motor VW para um gordini, motor GM p/ um ford, etc. Nossas fábricas produziram um boa gama de motores e equivalentes para você escolher. Fique atento para as dimensões do motor e seus componentes, porque tem que sobrar espaço para radiador, caixa-de-marcha e freios.

Ao adaptar, não fixe o motor diretamente sobre o chassi, porque a vibração soltará todos os parafusos existentes, além de provocar trincas. Veja como é originalmente o calço do motor, encurte para adaptar ou crie um novo baseado no material e dimensões. É infalível.

  Se o motor for dianteiro e a tração traseira, o eixo cardan precisa ser encurtado: corte o tamanho necessário, faça um pino-guia, desbaste as duas partes usinando a 45º (bisel) e solde com eletrodo revestido.

  Procure adotar o radiador original, porque a troca térmica manterá a mesma. Um radiador menor comprometerá a durabilidade do motor, podendo em algumas situações, superaquecer o motor mesmo com ventoinha. Se não puder, adote duas ventoinhas: um interna (original ou elétrica) e uma externa (Omega, Vectra, Astra, etc). No caso de alteração de taxa de compressão ou performance como um todo, provávelmente o original não será o suficiente.

 Quando escolher o motor, deve-se ter em mente: criarei um bólido ou algo para me divertir? Para ter um bólido, existem várias regras de adaptação, veneno, turbos, blower e assim por diante. Mas para ter um carro dirigível e agradável você pode proceder da seguinte forma:

  • Uma relação peso/potência de 7,0 Kq/cv – significa que cada kg do carro é carregado por 1 cv do motor. Para um carro de 1200 kg, um motor de 170cv, é interessante. Uma relação de 4kg/cv já é agressiva, podendo comprometer a dirigibilidade. Só para profissionais.
  • Motor de baixa potência especifica tem a curva de potência plana – o carro não é fraco em baixas rotações (retomada), evitando trocas de marchas e permitindo um relação mais alongada. Curva acentuada entrega potência rapidamente, sendo desconfortável no transito (afinal, você achou que ia expor seu carro como?). Uma relação de 18cc/cv demonstra um motor vigoroso em baixas (ainda) e nervoso em altas rotações (pelo menos). Não esqueça que esta relação é inversamente proporcional à durabilidade, principalmente se você é “cupim-de-ferro”.
  • Adote um boa carburação – além de melhorar o rendimento do motor, melhora a queima e diminui o consumo. Caso use os Quadrijet importados, procure escolher algo de acordo com a sua necessidade e acessórios. Carburador de 850 cfm num motor com comando original não adianta nada. Carburador 650cfm à vácuo, comando 268º simétrico é uma excelente opção.
  • Ignição eletrônica – resulta nos mesmo efeitos da carburação, além da confiabilidade. Ignição de alta potência só gera resultados se a carburação e comando estiverem condizentes. Módulos com corte de rotação são utilizados somente com motor brabo.
  • Escapamento – como você está adaptando um novo motor, provavelmente terá que criar um novo escape. Evite algo barulhento, pois só gera estresse no final do dia. Adote o intermediário universal, que reduz o ruído, mantendo-o ainda com um ronco agradável. Não coloque silenciosos oriundo de carros com baixa cilindrada; use somente se você fizer 8×2 ou 6×2. A restrição diminuirá o rendimento do motor. Escape que encerra no meio do carro, ecoa no interior do carro e faz turbilhão de gases no habitáculo. Evite usar falsos silenciadores externamente à carroceria, pois não tem sentido uma máquina real usar um acessório virtual…
  • Caixa-de-marcha: o quanto puder, tente usar a que acompanha o motor. Alguns não gostam de usar a de 3 marchas, preferindo a de 4 marchas. Quanto mais forte o motor, menos pede troca de marcha. Aqueles que fabricaram 3m e 4m, normalmente produziram caixas em que a 1ª e a última marcha possuem a mesma relação; se você que participar de uma arrancada de vez em quando, não se esqueça que o cambio preferido para dragster e funny cars é o powerglide de 2 marchas. Perde-se menos tempo com uma troca ao invés de 2 trocas de marcha. Câmbio automático é mais fácil de adaptar porque o trambulador só tem uma direção e não possui embreagem, facilitando a instalação.

 3 – Rodante

 Quando escolher o chassi, questione: a suspensão será a mesma? Se você disser sim, provavelmente terá escolhido um que concilie a dirigibilidade com conforto.

            Se disser não, temos algumas regras:

  • Pode-se misturar suspensões diferentes em carros diferentes. Algumas são macias demais, outras frágeis. Mas tente manter o original, pois a alteração pode gerar desequilíbrio direcional e aderência.
  • Molas helicoidais podem ser construídas conforme sua necessidade. Para rebaixar, encomende uma da altura escolhida. Evite cortar: a constante da mola é função da altura original. Ex.: se você cortar a mola ao meio, cada metade terá o dobro da constante, ou seja, o dobro da força para comprimi-la. Esquentar a mola gera um grande risco: cada mola ficar diferente. A dureza da mola é produzida durante sua fabricação, no aquecimento e no resfriamento. Quem lhe garante que todas estarão iguais?
  • Os amortecedores originais, se você escolheu um carro antigo como base, com toda certeza serão menos eficientes do que os mais novos (independente de sua idade e estado de conservação). Escolha um moderno, de dupla ação (amortece na compressão e na expansão), com o peso por eixo próximo do seu hot. Se sua suspensão está rebaixada, o amortecedor estará comprimido também (pré-carga). Alguns importados possuem ajustes diversos, devendo ser montado por um especialista.
  • Você quer ter conforto ou suar para dirigir? Então escolha direção hidráulica. As mais modernas são eletro-hidráulicas (um motor elétrico aciona a bomba, ao invés da correia do motor), podendo vir de qualquer carro. Se tiver coluna ajustável, melhor ainda.
  • Ao escolher uma roda tenha em mente o seguinte: se não existir furação para seu hot, não insista em adaptar. É um item de segurança que você não pode improvisar.

Escolha uma roda que combine visualmente com o seu carro. Se possui linhas modernas, pode adotar rodas de visual moderno, polidas ou pintadas. Se for antigo, escolha rodas esportivas da época ou modernas de visual retrô. Evite rodas reformadas, pois estão fragilizadas. Se a roda for original de aço estampado, pode optar por sobrearo ou calotas moon. Pintar na cor do carro e instalar uma mini calota também é interessante.

  • O pneu ideal é aquele que não falta e não sobra. Escolha a medida correta com a tala da roda. Preste atenção para ver se o pneu não roça no paralama ou nos amortecedores e mola. Se logo agora que gastou tanto dinheiro no carro, vai botar pneu recauchutado? Um pneu e roda com as medidas corretas vale mais de 50% da beleza do carro.  Se você não pretende arrancar profissionalmente com ele, boas medidas são: dianteira – 225/60-15 (roda 8”), traseiro – 245/60-15(roda 8 ou 10”). Se adotar pneu muito largo, o controle do carro na chuva fica prejudicado. Modelos modernos possuem na rodagem canal de escoamento de água.
  • O freio é um outro item de segurança que não pode ser esquecido. Com toda certeza, o seu chassi original possui um sistema de freio deficiente: ou pelo novo motor ou pelo motorista que pisa fundo.

Disco dianteiro e tambor traseiro são mandatórios para um hot. Pode-se montar disco ventilado de um carro com pinça de outro, contanto que a fixação seja firme e os tamanhos compatíveis. Mas não convém arriscar…

Uma boa alternativa é a adoção do sistema de freio das pick-ups mais modernas, pois além de serem superdimensionadas, possuem sistema ABS (alguns só traseiros) de fácil montagem e adaptação. Discos de fibra-de-carbono são somente para carros de competição. A eficiência só aparece quando aquecido, ou seja, em corrida. Alguns carros de corrida adotam em circuitos disco misto Ferro-Fibra, pois um é melhor a frio e o outro à quente.

 4 – Visual

 Procure ao máximo manter os para-choques originais do carro, principalmente se ainda estiverem cromados. Em roadsters ou pick-ups, é estilisticamente mais interessante retira-los, mas não jogar fora. Lembre que isto é proibido pelo Contran, sendo somente adotado para carros de exposição.

  A cor, como dita anteriormente, é de sua escolha. Muscle cars reestilizados adotam laranja, verde, branco, amarelo, preto, e obviamente, a cor original de fábrica. Roadsters adotam muito 2 cores: configuração saia-e-blusa, flames (fogo na frete do carro) ou ghost flames (fogo com tom e sobre-tom). O vermelho ferrari é a cor mais adotada. Como são carros de exposição, o cuidado com a pintura é demasiado, com a adoção de vernizes de última geração.

 O interior deve ser tão bem cuidado quanto o restante. Interior deve ser revestido em couro, napa ou curvim. Forro de porta, tapetes, bancos e console costumam ser encapados com o mesmo tecido. Adote cor no tom da carroceria, permitindo pequenas variações sobre as peças.

 Os bancos devem propiciar conforto a você, meu amigo. Bancos enormes em um carro que vc rebaixou o teto, fica dificil de caber. Encosto baixo são adotados em conversíveis, mas alguns roadsters caem bem com um. Se o banco for de carro moderno, abuse dos recursos de regulagem de postura e monte como quiser.

  Se os instrumentos são insuficientes ou não funcionam, instale os modelos vintique ou belle epóque para os antigos e os outros para muscle cars. Evite furar o painel para colocá-los. Faça um painel suspenso no painel original ou um adaptador para o local do rádio original.

Contagiros podem ser instalados na coluna de direção, sobre o painel ou na coluna “a” (o do parabrisa dianteiro). Eles devem ser visíveis a vc e não atrapalhar a visão dianteira.

Procure sempre recuperar os instrumentos originais. A máquina não necessariamente precisa ser a original; substitui-se por uma que possua características semelhantes. Atente para os seguintes detalhes:

  • A varredura do ponteiro – o ponteiro pode trabalhar sob um angulo de 90º, 180º ou 270º. Colocar uma máquina de 90º em escala de 180º, não abrangerá toda a escala disponível, além de indicar valores muito diferentes;
  • A escala – um termômetro original que indica até 150ºC e vc escolhe uma máquina de 180ºC, a escala indicará incorretamente os valores.

Quando o painel for incompleto, instale no seu hot Voltímetro, Contagiros, Temperatura de Óleo e Vacuometro. No caso do seu carro estar mais equipado, providencie Pressão do óleo e Hall Meter (ou Pirômetro). Este último depende de que vc instale a sonda Lambda no escapamento, conforme instruções do fabricante. É utilíssimo para quem usa compressores.

Ao escolher um equipamento, você deve atentar para o range  deste equipamento. Procure por um em que a escala de utilização fique entre ¼ e ¾ da escala. Ex.: Rotação máxima do motor: 4500, instale um de no mínimo  6000rpm; Temperatura de operação do motor: 110º, instale um termometro de pelo menos 150º. Dê preferencia pela escala 2x maior que a operação.

Se você gosta de um hot ou street, também gosta de um rock ´n roll. Instale um som no seu carro, mas não exagere. A Radio Shack dos EUA produz toca-fitas com a frente estilizada para carros antigos e alguns modelos especiais para Corvette, Mustangs, Chevys, etc. Estes são digitais, excelente qualidade e potência de amplificador. Escolha então um cd de mala por fm para tocar aquela coletania do zz top…

 Bom proveito.

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6 opiniões sobre “Como fazer um hot

    • Nnanael:

      Como difcil determinar o que bom gosto. Alguns podem achar uma heresia o que escrevi, considerando pssimo gosto.

      No RJ, as milheres andam com calas 3 nmeros menor e se acham lindas e na moda . Em BH isso ridculo.

      Temos de avaliar a questo cultural do lugar.

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    • Você fez uma das perguntas mais difíceis! Depende de város fatores:

      1 – Quantos lugares?
      2 – Que motorização?
      3 – Que carroceria?
      4 – Que tipos de suspensão?
      5 – Que características de condução (esportiva, passeio, topa-tudo)?

      Tudo tem de ser muito bem escolhido, pois, como disse, as escolhas tem de equilibrar para que você não construa uma “cadeira elétrica”.

      Além disso, existem muitos livros americanos que falam sobre o tema. Não esqueça que simulação por computador diminuirá em 100% os retrabalhos.

      Forte abraço.

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