Confiança

Quando comprei o meu 1º carro, comprei sem o consentimento dos meus pais, mas foi com o meu dinheiro. Portanto, não precisei dar satisfações. Ele estava em bom estado, mas, como todo carro antigo, pedia pequenos reparos. Paguei pouco por ele, não tinha idéia de quanto ia gastar, mas não me importava com isto. Queria me divertir.

No momento que apareci com o carro, não obtive aprovação unânime: uns achavam loucura, outros achavam legal mas não tinham a coragem de fazer o que fiz até então. “Dane-se!”, pensei. Não era bem assim que deveria fazer, mas toquei o bonde em frente.

Fui realizando os reparos necessários aos poucos, pois na época o meu dinheiro era curto: somente R$ 520,00 de salário. Buchas de suspensão, direção hidráulica, revestimento do banco, escapamento, pontos de corrosão na carroceria, e assim por diante. E no final de 18 meses tinha um carro apresentável. Mas me faltava confiança.

Quando voce participa de um grupo ou clube, seu carro passa a ser uma referencia para os outros e voce tem outros como referencia também. Apesar do meu carro estar somente “bom”, não acreditava no seu potencial: de desfrute e prazer.

Partindo de um grupo bom, as idéias e opiniões deles também são boas. Se eles te entusiasmam a fazer algo no carro ou desencorajam, isto é para o seu bem. E isto aconteceu comigo.

Não tinha o costume de rodar com ele, talvez 20km por mês. É pouco, isso é verdade. Mas me faltava o empurrão para utilizá-lo mais. E o grupo me deu isto.

Num determinado dia, marcávamos o ponto de encontro para seguirmos juntos ao evento de Volta Redonda. Até o último minuto achava que não deveria. Mas nesta noite, um amigo me incentivou a viajar com ele na intenção de participar mais de perto do evento. E ele conseguiu.

Admito que estava nervoso pois nunca tinha percorrido tamanha quilometragem num mesmo dia ( incríveis 100km ). Mas todos os problemas, por menores que fossem, apareciam em minha mente na noite de 6ª para sábado como assombração. Mais uma vez, “dane-se!”, pensei. Mas desta vez estava certo, pois no comboio estavam integrantes com, pelo menos, 100 anos somados dirigindo dodge. Além de mecânicos profissionais e amadores prontos para qualquer problema.

Neste percurso ( ponte rio-niteroi, linha vermelha e via dutra), fui sentindo as reações do carro, como ele se comportava mediante minhas solicitações e , também , como eu me comportava. E ele se portou muito bem, me dando prazer ao dirigir, ouvindo o seu roncado a 120km/h, fazendo curvas abertas e fechadas, enfim, um deleite.

Tudo isto era muito bonito até a hora de frear. Naquele momento, não tinhamos resolvido um descontrole em fradas fortes. Posteriormente descobrimos que um aperto no braço auxiliar da direção e a troca de um mangote de freio teriam economizado a prudencia desta viagem.

Depois disto tudo, aproveitei o evento vendo os carros expostos, conversando com  colecionadores, e observando de longe varios transeuntes vendo com cuidado o meu carro, observando os detalhes. Confesso que me deu orgulho, apesar dele não se a estrela do evento. Mas era a minha estrela.

Na volta ao Rio de Janeiro, tive a audácia de dirigir sem comboio, tamanha era a minha confiança. Aproveitei mais ainda o que o carro me oferecia, pois o “gelo”em que me encontrava na ida tinha derretido na chegada. Sempre quando nós excedemos a capacidade de dicernir o correto do errado, acaba dando problema. Este meu dicernimento tinha sido deixado de lado quando imaginava que o tanque de um dodge 72 daria para ir e voltar de Volta Redonda. Conclusão: sem combustível na via dutra. Sem problema algum chegamos a um posto para colocar um gole de gasolina. E assim chegamos em casa.

Acho que a confiança se dá quando elementos que interagem funcionam em harmonia. Um carro bem conservado e com manutenção periódica pode lhe fornecer isto. Não adianta viajar com um carro inacabado, sem ter feito teste, pois irá “quebrar a cara”. Logo que você terminar de reformar ou fazer o seu carro, faça uma viagem para pegar intimidade com ele. Sozinho…

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